Chapter 11
O escritório de mogno e vidro da propriedade da família cheirava a charuto caro e traição. Lucas manteve o livro-razão contra o peito, sentindo o couro gasto como uma arma carregada. À sua frente, seu pai, Roberto, não era o refém que ele viera salvar. Ele estava sentado à mesa, ajustando as abotoaduras com uma calma gélida que fez a pele de Lucas formigar. A luz da lua atravessava o vidro, projetando sombras longas sobre os documentos que provavam o desvio de verbas da prefeitura.
— O livro-razão, Lucas? — Roberto soltou um riso seco. — Você passou meses rastreando fantasmas, acreditando ser o herói de uma tragédia grega. Mas a tragédia é a sua falta de visão. Você nunca entendeu que a falência da nossa casa não foi um acidente. Foi um projeto de consolidação.
O Homem do Sedã, parado na entrada como uma estátua de mármore, bloqueava a única saída. A hierarquia que Lucas tentara derrubar não era uma força externa; era a estrutura que seu pai erguera enquanto o próprio filho definhava no exílio. O leilão, a licitação, a internação de Maria — tudo eram engrenagens de um relógio que Roberto cont
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