Chapter 12
O escritório de Roberto, no coração da propriedade dos Bastos, não era mais um santuário de poder; era uma câmara de eco para o colapso. O zumbido dos servidores, antes um sinal de eficiência, agora soava como a contagem regressiva de uma bomba. Nas telas, o gráfico de valor do Consórcio despencava em uma cascata de vermelho, uma hemorragia financeira que não admitia torniquetes. Roberto estava parado diante da janela, a silhueta rígida contra o céu que começava a clarear, revelando as viaturas e os homens de terno cinza que cercavam o perímetro. Quando ele se virou, a máscara de patriarca benevolente estava estilhaçada.
— Você não tem ideia do que destruiu, Lucas — a voz de Roberto era um sussurro rouco, destituída de autoridade. — Esse drive não contém apenas números. É a fundação da estabilidade desta cidade. Sem isso, o caos vai devorar cada um de nós.
Lucas fechou o laptop com um estalo seco. Ele não sentia o peso da culpa que esperava; sentia apenas a clareza fria de quem finalmente via o tabuleiro sem o véu da lealdade cega.
— A estabilidade que você chama de ordem é a sua coleira, Roberto. E ela acabou de arrebentar.
Lucas saiu do escritório, atravessando o saguão onde o ar tinha gosto de metal e poeira de ge
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