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Chapter 7: O Peso da Coroa

Caio consolida sua vitória sobre Salles, mas a Horizonte envia um emissário para tentar uma parceria forçada, que Caio rejeita com autoridade. O capítulo termina com a infiltração de um antigo rival de guerra de Caio, o Capitão Mendes, que revela ter informações capazes de expor a identidade oculta de Caio, forçando-o a preparar-se para uma investida sistêmica da Horizonte.

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O Peso da Coroa

O lacre oficial da prefeitura, esticado sobre os portões de ferro forjado da mansão Salles, brilhava sob o sol impiedoso da tarde. Para os transeuntes, era apenas um imóvel embargado por dívidas tributárias. Para Caio Valente, parado do outro lado da rua, era a prova física de que o status de Ricardo Salles havia sido reduzido a cinzas.

— Ele foi levado há dez minutos, Caio — disse Beatriz, aproximando-se. Ela mantinha as mãos unidas, os nós dos dedos brancos de tensão. — O advogado da Horizonte esteve aqui. Eles não parecem preocupados com a queda do Salles. Estão preocupados com o que você tem nas mãos.

Caio não desviou o olhar da mansão. O silêncio que o cercava não era de paz, mas de antecipação. O aparelho celular no bolso do seu paletó parecia pesar toneladas; os arquivos digitais que destruíram Salles eram apenas a primeira camada de uma estrutura muito mais perigosa.

— A Horizonte não se preocupa com peões, Beatriz. Eles se preocupam com a estrutura que os sustenta — respondeu Caio, a voz baixa e cortante. — Salles era a fachada. A verdadeira ameaça não está em quem foi preso, mas em quem ainda opera nas sombras.

Ele deu um passo em direção ao carro, mas parou subitamente. Seus instintos, treinados em teatros de operação onde um erro significava a morte, captaram uma irregularidade. Um homem, vestindo o uniforme impecável de um serviço de entrega, observava o perímetro com uma precisão que não pertencia a um entregador. O padrão de movimento era militar. Caio não esperou. — Mude toda a equipe do restaurante hoje — ordenou ele, sem olhar para Beatriz. — Substitua cada funcionário por aqueles que eu trouxe. Ninguém entra sem minha autorização.

*

No restaurante, o clima era de uma fortaleza sitiada. O prato de porcelana estilhaçou contra o chão, o som metálico ecoando como um tiro no salão vazio. Beatriz avançou, os olhos faiscando.

— O que você fez com este lugar, Caio? — ela apontou para os seguranças impecavelmente vestidos que patrulhavam as saídas. — Isso não é um bistrô, é um bunker. Eu queria uma vida normal, não uma guerra.

Caio serviu-se de um vinho, a calma absoluta sendo uma afronta direta ao caos dela. — A normalidade é um luxo que você não pode pagar enquanto estiver comigo, Bia. A paz lá fora é uma ilusão que se desfaz no primeiro suspiro.

Antes que ela pudesse responder, a porta principal se escancarou. Três homens de terno cinza entraram, o líder portando uma pasta com o selo da Horizonte. O ar tornou-se rarefeito. O mensageiro ignorou os seguranças, caminhando até a mesa com um sorriso predatório.

— A Horizonte faz uma oferta de parceria, Caio. Ou você aceita, ou a cidade se torna seu túmulo.

Caio não se levantou. Ele continuou cortando seu bife, o som do metal contra a porcelana soando como uma contagem regressiva. — Parceria? — ele perguntou, a voz desprovida de emoção. — Vocês não querem parceiros. Querem um cão de guarda que aceite as sobras.

O líder da Horizonte riu, mas o som morreu quando Caio finalmente ergueu o olhar. Havia algo no fundo daqueles olhos que fez o homem recuar um passo. Caio deslizou um documento sobre a mesa: a prova das licitações fraudulentas que a Horizonte tentava esconder. — Diga aos seus mestres que, se pisarem aqui novamente, a próxima coisa que receberão não será uma proposta, mas uma notificação de falência. Saiam.

*

A noite caiu, e com ela, o espectro do passado. O rival militar, um homem que Caio reconheceu como o Capitão Mendes — um veterano que servira em sua unidade — infiltrou-se na área de serviço do restaurante. Ele não era um capanga; era um estrategista.

Mendes tentou subornar o chef, esperando encontrar uma brecha na defesa da casa, mas encontrou apenas o vazio. Ao virar-se, deu de cara com Caio, que o aguardava nas sombras da cozinha.

— Você perdeu o toque, Caio — disse Mendes, sacando uma lâmina com movimentos fluidos. — A Horizonte me contratou especificamente para desmascarar 'O Estrategista'. Eles sabem que você não é apenas um ex-soldado falido.

O confronto foi breve e brutal, um embate de competência onde cada golpe era calculado. Caio subjugou o rival com uma imobilização que quebrou o ritmo de Mendes, pressionando-o contra a bancada de inox.

— Você trabalha para quem te paga, Mendes. Eu trabalho para o que é meu — sibilou Caio.

Ao vasculhar o bolso do rival, Caio encontrou um dossiê. Não era sobre Salles. Era sobre ele. O passado militar de Caio estava vazando, e a Horizonte agora tinha a munição necessária para uma guerra de reputação que ele não poderia vencer apenas com força. O jogo mudara de patamar. Ele não era mais apenas o dono de um restaurante; ele era um homem caçado por fantasmas que conheciam cada cicatriz de sua alma. A guerra estava apenas começando.

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