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Chapter 6: A Queda do Magnata

Caio Valente neutraliza a sabotagem de Salles comprando suas dívidas, expõe o magnata à Horizonte e garante sua ruína pública, enquanto uma ameaça misteriosa do seu passado militar surge na cidade.

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A Queda do Magnata

O silêncio na cozinha de O Legado não era de paz, mas de asfixia. Beatriz observava as prateleiras de madeira nobre, outrora o coração da linhagem Valente, agora vazias. Ricardo Salles não precisava de um exército; bastava o corte estratégico dos fornecedores para transformar o restaurante em um monumento à falência antes mesmo do martelo do leilão cair.

— Eles cancelaram tudo, Caio — a voz de Beatriz era um fio de esperança prestes a romper. — Alegam 'risco de inadimplência'. É o fim.

Caio Valente não respondeu. Ele limpou as mãos em um pano de prato, com a precisão de quem desmonta um fuzil. A estratégia de Salles era um manual de desvalorização imobiliária: estrangular a operação para comprar o imóvel por uma fração do valor. Quinze minutos depois, Caio estava no escritório de Roberto, o principal fornecedor de carnes nobres da cidade. O homem, suando frio, tentou esconder o documento de rescisão.

— Roberto — Caio disse, a voz desprovida de qualquer tremor enquanto deslizava um envelope pela mesa. — Você tem uma dívida de três milhões com o banco que o Grupo Salles comprou. Mas eu comprei a dívida do banco ontem.

O fornecedor empalideceu. Caio não pediu lealdade; ele comprou a sobrevivência do homem.

— Entregue o que for necessário ao restaurante. Ou eu executo sua hipoteca pessoal antes do almoço.

O escritório de Salles cheirava a couro legítimo e arrogância. Caio observava a metrópole através do vidro temperado enquanto o advogado de Salles tentava ocultar as últimas transferências de ativos. Caio lançou uma pasta parda sobre a mesa de mogno. Dentro, a confissão do secretário municipal e o rastro digital que ligava Salles a desvios diretos dos cofres da Horizonte.

— As liminares caíram no instante em que as provas chegaram à mesa do conselho da Horizonte — disse Caio. — Eles não protegem peões que se tornam passivos. Salles é um erro que precisa ser corrigido.

O advogado abriu a pasta e o sangue drenou de seu rosto. Caio invadiu seu espaço pessoal, a presença dominando a sala.

— Protocolar. Agora.

O mármore do saguão da mansão de Salles, antes símbolo de uma fortuna intocável, agora parecia o chão de um mausoléu. Oficiais de justiça colavam o lacre vermelho na porta principal. Salles desceu as escadas em um roupão de seda, os olhos injetados de uma fúria impotente.

— Você acha que isso acaba aqui, Valente? — Salles sibilou. — A Horizonte não vai tolerar que um soldado de quinta categoria brinque com o patrimônio deles.

Caio caminhou até o centro da sala, onde o relógio de pulso de Salles — um item de luxo que ele havia deixado sobre a mesa — brilhava sob a luz do lustre. Com um movimento preciso, Caio o recolheu. O gesto foi o despojamento final: o homem perdera até o direito sobre o tempo que lhe restava.

— A Horizonte não me tolera, Salles. Eles me temem porque eu conheço os arquivos que você tentou incinerar.

Salles foi levado, sua falência total agora um fato público. Caio, sozinho no restaurante, contemplava a vitória. O celular sobre a mesa vibrou: uma mensagem sem remetente. Apenas uma coordenada e uma assinatura que ele não via há anos. O inimigo não apenas sabia onde ele estava; ele imitava o método de execução de Caio. A mensagem na tela não era um desafio, era um espelho: sua assinatura, seu código, seu rastro. Um espectro do seu passado militar acabara de aterrissar na cidade, trazendo segredos que poderiam desmascarar sua identidade para sempre.

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