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Chapter 10: O Teto de Vidro

Kaelen sobrevive à primeira ronda de servidão na Zona Aberta, utilizando o núcleo proibido para forçar uma recalibração do sistema de ranking. Ao expor a drenagem de éter da Seita Oculta, ele quebra o teto de poder da Academia, atraindo a atenção direta dos líderes da Seita e forçando o início do clímax da prova.

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O Teto de Vidro

A sirene de ronda da Zona Aberta cortou o ar, um lamento metálico que vibrava nos dentes de Kaelen. Vitalidade: 57%. O número, projetado em um vermelho doentio no canto de sua visão, oscilava conforme o parasita da Seita Oculta, alojado sob suas costelas, drenava sua energia vital para alimentar a rede subterrânea da Academia. Quarenta e uma horas restantes de servidão compulsória. Se a cota de manutenção não fosse batida antes do reset semanal, sua posição número 5 — conquistada com a ruína financeira de Valéria — seria deletada, e ele seria descartado como lixo orgânico.

Um mech de calibração 7+ emergiu da névoa de poeira e óleo, seus sensores infravermelhos varrendo o ferro-velho. Kaelen sentiu o parasita se contorcer, uma fisgada de arame farpado em seu fígado. Ele tocou o comunicador, a voz saindo como brita triturada:

— Vane, o sistema está me estrangulando. Se eu cair aqui, sua vingança morre comigo.

A resposta veio com um estalo de estática, carregada de um desdém que escondia uma urgência febril:

— Então não caia. O núcleo HX-774 não é um brinquedo, é um parasita de elite. Se você não o alimentar com o éter dos mechs, ele vai devorar sua medula. Acelere o pulso.

Kaelen avançou. O mech disparou um jato de plasma. Kaelen rolou, o metal retorcido rasgando sua jaqueta, e ativou o núcleo. O artefato, fundido ao seu sistema nervoso, respondeu com um gemido de alta frequência. Éter bruto foi sugado de sua medula, filtrado pelo parasita e disparado em uma lâmina de energia pura. O mech foi partido ao meio, faíscas chovendo como fogos de artifício sobre o lodo da arena. 1/12 concluído.

O placar da Academia piscou, detectando a assinatura proibida: Sobrecarga não autorizada – Nível 3. Recalibração pendente.

Kaelen cambaleou até um abrigo, o peito arfando. Vitalidade: 53%. Ele abriu o canal morto de Vane.

— Eles sabem — disse Vane, sem preâmbulos. — A posição cinco é o teto de um cadete “legítimo”. A Academia drena 1,4% do éter coletivo para a Seita. Você chegou ao limite da farsa. Eles vão te deletar antes do reset.

— Como eu quebro isso?

— Sobrecarregando o núcleo central. Risco total. Se funcionar, você assume o controle da dívida de todos. Se falhar, você vira cinzas.

Kaelen olhou para o antebraço, onde o contrato de sangue pulsava em sincronia com o núcleo. A dor era uma âncora, uma lembrança de que ele não tinha mais nada a perder.

— Coordenadas.

O pacote de dados atingiu seu córtex. Kaelen levantou-se, ignorando o tremor nas pernas. Ele voltou à Plataforma Central. Valéria estava lá, observando de uma cabine elevada, seus olhos como lâminas de gelo. Ela sabia. Ela sentia o parasita dela reagir ao dele.

Kaelen conectou o painel de sincronia reversa. Seus dedos, manchados de graxa e sangue, digitaram a sequência proibida: Assinatura Dupla – Fase Inversa.

O núcleo gemeu, um som que fez os cadetes nas arquibancadas taparem os ouvidos. A vitalidade de Kaelen despencou para 49%. Ele forçou o éter para fora, uma onda de choque que distorceu a luz da arena. O placar oficial entrou em colapso.

Teto de Vidro violado. Recalibração forçada.

Números começaram a rolar no telão principal: a drenagem de 1,4% estava sendo exposta, redirecionada de volta para a rede pública. O silêncio na arena foi absoluto, seguido por um rugido de caos. Auditores corriam, mechs de segurança travavam. Valéria desceu da cabine, a face distorcida por uma fúria que não era apenas política, mas existencial.

Mas antes que ela pudesse alcançá-lo, o telão principal foi tomado por uma silhueta imensa de éter negro. A Seita Oculta não estava mais escondida. Uma voz grave, amplificada por todo o setor, ecoou:

— A Escada foi comprometida. O ciclo final começa agora.

Kaelen limpou o sangue do lábio, sentindo o contrato de sangue queimar com uma promessa de poder. O teto não era vidro. Era uma tampa de caixão. E ele acabara de chutá-la para fora.

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