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Chapter 7: Degrau de Vidro

Kaelen sobrevive à perseguição após a sabotagem na Galeria e confronta Valerius no Festival de Ascensão. Ao usar a Conversão de Escassez para destruir o artefato de Valerius, Kaelen vence o duelo, mas é imediatamente marcado como uma 'anomalia' pela administração, revelando que a queda de Valerius é apenas uma manobra de encobrimento da cúpula.

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Degrau de Vidro

O cheiro de ozônio e metal fundido ainda impregnava a Galeria de Artefatos. Kaelen não esperou a poeira baixar. Ele saltou sobre um pilar de sustentação, seus pés mal tocando a pedra antes de impulsionar-se para as sombras dos arcos superiores. Atrás dele, os feixes de luz dos guardas da Academia varriam o corredor como lâminas famintas, desintegrando o que restava das relíquias sabotadas. Cada feixe que atingia uma parede deixava uma cicatriz de calcinação.

— Setor Sete em bloqueio total. Identifiquem o intruso! — a voz metálica do capitão ecoou, amplificada por selos de autoridade.

Kaelen sentiu o núcleo de energia em seu peito pulsar, um ritmo frenético de cultivo forçado. A "Conversão de Escassez" exigia um preço: o calor em suas veias era a dívida sendo paga com sua própria vitalidade. Ele precisava de mais do que furtividade; precisava de uma saída que não o marcasse como um rato encurralado. Lívia surgiu de uma fenda lateral, o rosto pálido sob o capuz, os olhos fixos na movimentação dos guardas.

— Mestre Elian foi convocado para depor contra você — sussurrou ela, a voz cortante. — Eles vão apagar seu nome antes do amanhecer. Elian era sua última defesa, e agora a academia o usa como marionete para validar a farsa da armadilha.

— Eles não querem justiça, Lívia. Querem um bode expiatório para ocultar o desvio dos núcleos de essência — Kaelen apertou os punhos, sentindo o peso do cristal de memória que Lívia lhe entregara. A decisão cristalizou-se: ele não se esconderia. Ele enfrentaria Valerius no Festival de Ascensão, forçando uma prova pública que a cúpula não poderia ignorar sem se expor.

O sino da Academia soou para o veredito. Na Arena Principal, o ar estava denso, saturado com a expectativa predatória da elite. Valerius avançou pelo centro, seu traje de duelo brilhando com a luz fria de um artefato de Nível Médio, um selo proibido que drenava a vitalidade do oponente. Era uma aposta cínica: esmagar Kaelen diante de todos para purgar o constrangimento da Galeria.

— Você deveria ter ficado no lixo, Kaelen — Valerius sibilou, sua voz amplificada pelo sistema da arena. — Onde a sua técnica de mendigo não pudesse infectar este festival.

Kaelen não respondeu. Ele sentiu a pressão social do público e a transformou em alavanca. A técnica de Conversão de Escassez não era sobre força bruta; era sobre devorar o desdém alheio. Quando Valerius ativou o selo, disparando uma rajada de energia violeta, Kaelen não bloqueou. Ele se abriu, deixando a agressão de Valerius colidir contra sua própria carência. A energia drenada do rival, agora instável e sobrecarregada, retornou ao núcleo de Valerius. O artefato cedeu com um estalo ensurdecedor, fragmentando-se em mil pedaços sob a pressão da própria ganância do usuário. Valerius caiu de joelhos, a essência dissipada em uma névoa inútil.

O silêncio que se seguiu foi quebrado pelo soar metálico e autoritário do sino da Academia. Não era o sinal de um vencedor, mas o toque de contenção total. Guardas de elite cercaram o pódio, e o Grão-Mestre surgiu, a face desprovida de humanidade.

— Kaelen, você não apenas subverteu o protocolo de segurança; você expôs a fragilidade da nossa ordem com um poder que não deveria existir — a voz do Grão-Mestre cortou o anfiteatro.

Lívia, mantendo distância, tamborilou um ritmo na coxa: cuidado, estamos sendo observados. Kaelen percebeu, enquanto era escoltado sob olhares hostis, que sua vitória era uma armadilha. Ele fora marcado oficialmente como uma 'anomalia perigosa'. Valerius foi levado sob custódia, mas o olhar frio dos arquitetos da cúpula revelou a verdade: o exílio do rival era apenas uma manobra para esconder a corrupção real da facção que o apoiava. O verdadeiro jogo de poder estava apenas começando, e o próximo degrau seria o mais íngreme de todos.

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