O Preço da Vitória
As algemas de supressão de mana cravavam-se nos pulsos de Kaelen, um frio metálico que drenava sua vitalidade a cada pulsação. Ele mal tivera tempo de limpar o sangue da arena antes de ser arrastado para o Sanctum do Conselho. À sua frente, três cadeiras de carvalho negro pairavam sob a luz estroboscópica de runas de interrogatório, cada uma projetando uma sombra que parecia pesar toneladas sobre seus ombros.
— A anomalia em seu núcleo não é talento, Kaelen. É corrupção — a voz do Grão-Mestre Elian cortou o ar estático como uma lâmina. — Confesse. Quem lhe forneceu a técnica proibida? O descarte é a nossa única opção para manter a integridade da Academia.
Kaelen sentiu o pulso acelerar, mas forçou a calma. Ele não podia recuar. Com um movimento brusco, ele abriu a palma da mão, revelando um fragmento de cristal gravado que furtara do corpo de Valerius minutos antes.
— Se a minha técnica é corrupção — Kaelen disparou, a voz firme apesar da fraqueza — então o que chamam de 'ajuda' de Valerius, que envenenou minha lâmina com essência abismal, é o quê? Este cristal prova que a armadilha não era disciplinar, mas letal. Foi um atentado dentro da arena.
O silêncio na câmara tornou-se denso. Mestre Elian estreitou os olhos ao identificar a assinatura energética do cristal. O artefato não apenas provava o uso de essência proibida, mas carregava a marca inconfundível da linhagem de Valerius. O Conselho trocou olhares rápidos, a fachada de autoridade inabalável trincando. Eles não podiam ignorar a evidência ali, sob a luz das runas. O desfecho foi rápido e gélido: Valerius foi sentenciado ao exílio nas Minas de Essência, um destino que, para um nobre, era uma sentença de morte social e física. Mas quando Elian dispensou Kaelen, o olhar do mentor não era de derrota, mas de uma nova e predatória curiosidade.
Kaelen saiu da câmara e seguiu diretamente para a Biblioteca de Arquivos Restritos. O ar ali era denso, impregnado com o cheiro de pergaminho antigo. Lívia o esperava atrás de uma estante de registros de linhagem, sua postura rígida traindo uma ansiedade que ela tentava mascarar.
— Você foi longe demais — sussurrou ela. — O exílio de Valerius foi uma manobra deliberada. Eles o apagaram para esconder que a armadilha letal foi aprovada pela facção de Elian. Você é a 'anomalia' que eles vão usar para justificar qualquer expurgo.
Kaelen sentiu o peso da revelação. Ele entregou a Lívia um fragmento de sua própria técnica — um risco calculado para garantir a lealdade dela. Em troca, ela lhe entregou um registro fragmentado.
— Não é apenas sobre você — disse ela. — A Academia é um filtro, um moedor de carne para uma guerra que ninguém menciona.
De volta ao seu dormitório, Kaelen encontrou o indicador de ranking em um vermelho punitivo. Seu acesso à essência fora cortado. A administração queria sufocá-lo. Sem o fluxo, ele começava a definhar. Kaelen tocou o selo de contenção na parede, sentindo a energia residual que a academia tentava filtrar. Ele ativou a Conversão de Escassez, não buscando essência pura, mas a própria resistência do selo. A energia violeta, agora uma assinatura perigosa, começou a drenar a barreira.
Ele inseriu o cristal de Lívia na fenda de ativação. A luz projetou um documento de transação. Seu nome não constava mais como aluno, mas como Recurso de Classe S - Destino: Fronteira de Guerra. O sino da academia tocou, anunciando um novo ciclo de provas. Kaelen olhou para o topo da torre, percebendo que a subida não era mais por prestígio; era uma fuga de um sistema que o criara apenas para ser consumido.