O Teste de Visibilidade
O rugido metálico do Grifo de Aço ecoou pelas paredes de obsidiana da arena, um som que não era apenas biológico, mas uma ressonância de engrenagens forjadas em essência bruta. Kaelen sentiu o gosto acre de ozônio na língua. A criatura, uma abominação de penas de lâmina e garras de ferro, ignorou os outros iniciados e fixou seus olhos prismáticos nele.
Não era um ataque aleatório. Era um rastreio.
No setor VIP, Valerius observava com um sorriso gélido, os dedos tamborilando no corrimão de mármore. A sabotagem era evidente: a besta fora sintonizada com a assinatura energética da 'Conversão de Escassez'. Kaelen, marcado pela técnica proibida, era o único alvo no tabuleiro.
O Grifo mergulhou. O deslocamento de ar cortou o espaço onde a cabeça de Kaelen estivera um segundo antes. Sem saída, ele disparou um pulso violeta para impulsionar seu corpo. O impacto contra o solo reverberou como um trovão, lançando faíscas que dançaram na arena. O silêncio na arquibancada foi absoluto. A cor de sua essência era um grito inegável: o selo da técnica proibida estava exposto.
Kaelen avistou Mestre Elian na tribuna de honra. O mentor trocou um olhar cúmplice com Valerius. A traição atingiu Kaelen com mais força que as garras da besta; o homem que deveria ser seu guia era o arquiteto de sua ruína. O medo subiu pela garganta, mas Kaelen o sufocou, forçando a energia proibida a fluir. Ele precisava de velocidade. Drenou o pavor da multidão, convertendo-o em aceleração pura. Em um borrão, ele surgiu atrás da besta e desferiu um golpe que abriu um corte profundo no flanco metálico da fera. O núcleo da criatura brilhou em resposta, mas o preço foi alto: o brilho violeta em suas veias agora era um farol que cortava a penumbra da arena.
Nos bastidores, o zumbido das botas dos guardas de elite da Academia aproximava-se. Kaelen estava encurralado quando Lívia surgiu de uma alcova, os olhos gélidos medindo o desespero dele.
— Eles sabem, Kaelen. Valerius emitiu o mandado. Entregue o núcleo de ascensão e eu abro uma rota pelos esgotos. Agora.
Kaelen sentiu o peso do artefato em seu cinto. Não era apenas o núcleo; era a chave para seu cultivo. — Não é o núcleo que você quer — Kaelen sibilou, bloqueando a passagem. — É a técnica. Se eu cair, você nunca a terá.
Ele forçou um fluxo caótico de qi para a palma da mão, criando uma sequência fragmentada da técnica, e a transferiu para um cristal de memória vazio, arremessando-o para ela. — Você terá o início. Ajude-me a sair, ou a próxima coisa que eles encontrarão será o seu envolvimento.
Lívia hesitou, mas a ganância superou a cautela. Ela revelou que a armadilha de Valerius era mais profunda: um dispositivo mecânico oculto no piso da próxima prova, desenhado para sobrecarregar qualquer usuário que tentasse converter essência ali. Kaelen, agora um fugitivo, deslizou pelos corredores do Nível Médio. Ele viu a runa de contenção gravada no metal, pulsando em sintonia com o Círculo de Prata. Em vez de fugir, ele canalizou o resto de seu poder para sabotar a frequência do mecanismo. Quando a próxima prova começasse, a armadilha não o mataria; ela se voltaria contra os sistemas de Valerius. Ele observou o dispositivo falhar, percebendo que a escada de poder era um campo minado onde cada degrau exigia um sacrifício. Ele estava vivo, mas a administração agora sabia exatamente quem ele era. O próximo teste não seria apenas uma luta; seria uma guerra aberta pela sua sobrevivência.