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Chapter 4: Mercado de Sangue

Kaelen e Lívia utilizam o leilão para adquirir núcleos de essência, mas a técnica proibida atrai vigilância. Ao investigar o Círculo de Prata, Kaelen descobre que seu mentor, Mestre Elian, é o traidor que facilitou o bloqueio de Valerius. O capítulo termina com a besta de essência da arena reagindo à assinatura de energia de Kaelen, sinalizando uma caçada iminente.

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Mercado de Sangue

O ar nos túneis sob a Arena de Provas tinha gosto de ozônio e desespero. Kaelen sentiu a vibração do Núcleo de Essência de nível médio em sua palma — um cristal denso, frio, que prometia a estabilidade que seu cultivo exigia. Ao redor de seus dedos, porém, a assinatura violeta da Conversão de Escassez pulsava como uma ferida aberta, um rastro de energia proibida que gritava sua localização para qualquer sensor da administração.

— Apague isso, Kaelen — sibilou Lívia, os olhos fixos na grade de ventilação. — Se os monitores da cúpula detectarem esse rastro, não seremos apenas expulsos. Seremos apagados do registro. Permanentemente.

Kaelen forçou a técnica a retrair. O custo foi imediato: uma pontada aguda no peito, como se ele estivesse drenando a própria vitalidade para estabilizar o fluxo. Ele não podia hesitar. O ciclo de desafios da Academia era um moedor de carne, e Valerius havia trancado o suprimento de essência atrás do Círculo de Prata, forçando Kaelen a uma estagnação fatal.

— O núcleo está instável — murmurou Kaelen, o suor frio escorrendo pela têmpora. — A técnica exige mais que dívida. Ela exige que eu aceite o risco de ser marcado.

Lívia aproximou-se, sua expressão pragmática desmoronando na urgência. Ela não queria apenas o núcleo; ela queria a alavancagem que ele proporcionaria contra os credores de sua família.

Horas depois, no Pátio de Treinamento, a atmosfera era de caça. Kaelen ajustou a túnica, sentindo o peso dos núcleos contra a pele. Eles eram a prova de que ele havia quebrado o bloqueio de Valerius. Ao seu lado, Lívia mantinha o olhar fixo nos capangas da facção de elite que bloqueavam a saída.

— Eles sabem — sussurrou Lívia. — Valerius quer o que você tirou daquele leilão.

Kaelen sentiu a assinatura violeta formigar. A administração da Academia já estava colhendo os dados. Ele precisava de fundos, não para luxo, mas para ocultar a assinatura que o tornava um alvo vivo. A estratégia era brutal: vender informações de combate coletadas no leilão para estudantes de nível médio, desestabilizando o monopólio de Valerius e criando uma rede de dívidas que ele converteria em força.

— Deixe que eles se aproximem — respondeu Kaelen.

Quando os capangas avançaram, Kaelen não recuou. Ele canalizou a pressão da dívida que os estudantes ao redor sentiam para com a facção de Valerius, usando a Conversão de Escassez como um dreno. A energia violeta tornou-se uma arma; ele converteu a hostilidade dos capangas em combustível, forçando-os a recuar diante de uma aura de poder que eles não conseguiam compreender. A vitória foi pública, mas Lívia já estava movendo-se, usando as informações vendidas para manipular o próximo lance.

Mais tarde, no silêncio do Arquivo Secreto, o zumbido dos selos de proteção parecia um aviso. Kaelen deslizou o cartão de acesso de Lívia. A tela projetou o log de transações do Círculo de Prata. Seus dedos moviam-se com precisão cirúrgica, cruzando IDs de autorização de Valerius com os registros de auditoria interna.

Um nome saltou da tela: Mestre Elian.

O mentor que o ensinara a manipular os fluxos básicos de energia. O homem que, há dois dias, lhe dera um conselho paternal sobre “aceitar os limites do próprio ranking”.

— Não pode ser — murmurou Kaelen, a náusea substituindo o choque. — Ele não apenas aprovou o bloqueio. Ele facilitou o acesso de Valerius aos meus dados de cultivo para garantir que a assinatura da minha técnica fosse denunciada como instabilidade.

Lívia empalideceu, o plano de ascensão desmoronando sob o peso da traição. Antes que Kaelen pudesse processar o golpe, o sino da arena tocou. A besta de essência, mantida sob contenção para o desafio final, soltou um rugido que não era de raiva, mas de reconhecimento. Ela reagia à sua assinatura violeta, agora exposta. O sistema da Academia não estava apenas vigiando; ele estava caçando.

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