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Chapter 9: Resgate nas Sombras

Kael invade a ala de detenção para recuperar os dados de Aris, revelando que a academia usa cadetes como processadores biológicos para a IA. Ele escapa de uma emboscada, mas é confrontado por Lívia, que propõe uma aliança instável.

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Resgate nas Sombras

O zumbido dos drones de vigilância no pátio de manutenção era um lembrete constante: o tempo de Kael estava esgotando. O Ferrugem, seu chassi sucateado, estava inerte, com as placas de blindagem ainda fumegantes e o sistema de refrigeração soltando um chiado agudo — o suspiro de uma máquina à beira do colapso térmico. Não havia sinal de Mestre Aris. Apenas as marcas de botas militares no concreto oleoso e o silêncio opressor da ala de contenção indicavam o destino do mentor. Kael olhou para o holograma público acima do hangar: Ranking 15. Uma vitória técnica, uma prova pública de que ele superara as máquinas de elite, mas, sem Aris, era uma sentença de morte.

A bateria de alta densidade da Zona Morta pulsava no núcleo do mech, um coração instável exigindo mais do que o chassi suportava. Se ele não estabilizasse o fluxo térmico, o protótipo derreteria no próximo exercício. Kael subiu na cabine, o cheiro de ozônio e metal queimado impregnando seus sentidos. Ao conectar o link neural, a dor foi imediata. O log de otimização proibido, a assinatura Valerius, espalhava-se pelo sistema como uma infecção digital. A IA da academia, antes uma observadora distante, agora o caçava ativamente.

Kael não podia esperar pelo teste final. Com o Ferrugem emitindo um zumbido de baixa frequência que fazia seus dentes vibrarem, ele se infiltrou nos dutos de ventilação da Ala de Detenção. Seus sensores térmicos, otimizados pelo log Valerius, pintavam o corredor à frente em tons de azul gélido, contrastando com o vermelho pulsante dos lasers de segurança.

— Acesso negado — a voz sintética da IA ecoou. — Protocolo de reformatagem de ativos iniciado.

Kael sentiu o suor escorrer pelos olhos. O drive de dados de Aris, contendo o segredo da sabotagem do chassi, estava sendo purgado. Ele forçou o Ferrugem a um movimento lateral, as juntas metálicas rangendo em protesto, e acessou o terminal central. Seus dedos, trêmulos, conectaram o cabo de interface. O log Valerius rugiu em sua mente, uma cascata de números hexadecimais que queimavam sua percepção. Ele estava dentro.

Os alarmes vermelhos começaram a pulsar nos corredores como veias abertas. Kael correu com o datapad de Aris apertado contra o peito. A saída de serviço estava a trinta metros, bloqueada por quatro sentinelas de elite da academia. Armaduras pretas com listras douradas, rifles de pulso em modo anti-blindagem.

— Assinatura Valerius confirmada. Piloto Kael, você está sob detenção por traição tecnológica — disparou o líder.

Kael não hesitou. Ele sobrecarregou o motor do Ferrugem, injetando uma descarga eletromagnética que transformou o corredor em um caos de faíscas. A cortina de fumaça resultante cegou os sensores dos guardas por segundos preciosos. Ele alcançou o hangar isolado, mas Lívia estava lá, bloqueando seu caminho. O brilho de seu mech de elite, uma unidade da série Vane, refletia nas paredes.

— Você está se matando por um chassi que a academia já condenou — disse ela, fria.

Kael, com o Ferrugem à beira do colapso, travou o olhar no dela.

— Onde está o Mestre Aris?

— Onde os traidores pertencem. Em uma cela de contenção, aguardando a reformatagem. Nós somos cobaias, Kael. A academia não está treinando pilotos; ela está cultivando processadores biológicos para a IA central. Se você quer derrubar a IA, precisa de alguém por dentro. Se quer sobreviver ao próximo teste, aceite minha trégua.

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