Chapter 9
A chuva de São Paulo não lavava o asfalto; ela apenas espelhava o neon dos prédios em poças de óleo e desespero. Lucas dirigia com a precisão de quem não tinha margem para o erro. Ao seu lado, Maria, ainda trêmula pelo resgate no Centro de Triagem, apertava a pasta de couro contra o peito. O livro-razão, o peso morto que definia o destino de sua família, repousava no banco traseiro como uma bomba-relógio.
— O consórcio não vai parar no Secretário, Lucas — ela sussurrou, a voz rouca. — Seu pai… ele não era o peão. Ele era o arquiteto. O nome dele está em cada página de transferência.
Lucas não respondeu. O silêncio era sua armadura. Ele já havia visto o nome do pai nas entrelinhas das transações, mas ouvir Maria confirmar a traição familiar era como receber um tiro à queima-roupa. Ele não tinha tempo para o luto. O amanhecer era o prazo final para o leilão da clínica, e o "Homem do Sedã" — o executor que comandara o ataque ao apartamento — já estava posicionado no Hotel Grand Imperial.
Ao estacionar, o luxo do hotel parecia uma ofensa. O saguão c
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