Chapter 4
O saguão do Hospital Santa Helena não era mais um ambiente de cura; era uma zona de exclusão. O ar, pesado com o odor de desinfetante hospitalar misturado ao suor frio de seguranças privados, vibrava com a tensão de um cerco iminente. Lucas, com o livro-razão pressionado contra o corpo como uma sentença de morte, observava o perímetro. Ele não era apenas um homem cercado; era o único ponto de falha em um sistema que operava há décadas sob o verniz da legalidade.
Valdir, o rosto desfigurado pela fúria contida, avançou com a mão espalmada sobre o coldre. A polícia local, antes sua extensão, agora hesitava. A presença da imprensa e a denúncia da fraude na licitação haviam transformado o saguão em um palco de vidro.
— Você não vai sair daqui com isso, Lucas — a voz de Valdir era um rosnado baixo, destinado apenas aos ouvidos do protagonista. — A prefeitura não perdoa vazamentos. Eles não vão te prender; eles vão te apagar.
Lucas não se deixou intimidar pelo teatro de força. Ele ergueu o mandado de licitação, apontando com precisão cirúrgica para a ausência do selo de autenticidade da corregedoria.
— O seu erro, Valdir, foi achar que eu ainda jogava pelas su
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