Chapter 10
O som da escavadeira não era apenas mecânico; era uma pulsação que subia pelo asfalto da Rua Principal, fazendo os dentes de Lucas vibrarem. 08:06. A pá amarela, uma mandíbula de aço, pairava a centímetros da fachada da loja de Helena. O Enforcer, impecável em seu terno cinza, caminhou até ele com um sorriso que não alcançava os olhos.
— O tempo esgotou, Lucas — disse ele, a voz cortando o burburinho dos transeuntes que começavam a gravar a cena. — Aquela denúncia que você enviou à imprensa? É apenas ruído digital. O papel que você segura não tem o carimbo da prefeitura. Saia da frente.
Lucas sentiu o peso da mochila, onde o livro de registros de 2018 parecia pulsar como um coração vivo. Ele estendeu a mão, exibindo o título de propriedade original do quarteirão. O documento, com bordas amareladas e o selo de autenticidade que remontava à fundação da associação, era a última barreira física entre a escavadeira e a história ali contida.
— Este título foi registrado antes mesmo que sua construtora existisse — respondeu Lucas, a voz firme. — Se essa máquina tocar um tijolo, você não estará apenas cometendo um crime de demolição ilegal. Você estará abrindo um processo que a imprensa nacional não vai ignorar. O registro de 2018 já está nas mãos deles.
O Enforcer recuou, o olhar vacilando para as câmeras dos celulares ao redor. Ele não temia a lei, mas temia a luz. Lucas percebeu, porém, que o recuo era tático. Ele se retirou para os fundos da loja, onde Helena o esperava. A atmosfera interna estava carregada, os vidros de conservas vib
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