Chapter 11
A garoa de Chinatown não limpava o cheiro de tijolo moído e poeira que subia dos escombros. Lucas pressionou a lateral das costelas, onde a coronha de metal do Enforcer deixara uma marca roxa. Ao seu redor, a rua principal era um cenário de guerra silenciosa: as máquinas de demolição, bestas amarelas e imóveis, aguardavam a ordem final sob o olhar de viaturas policiais que cercavam o perímetro, com seus giroscópios pintando as fachadas envelhecidas de um azul e vermelho intermitente.
Ele não tinha o livro de 2018. A prova física que sustentava o equilíbrio da rede de imigrantes estava nas mãos do inimigo. O silêncio no quarteirão era mais pesado que o barulho dos motores; era a quietude de quem compreendia que a denúncia feita à imprensa horas antes não trouxera justiça, apenas o caos.
— Você não deveria estar aqui — a voz de Helena surgiu atrás dele, cortante como vidro quebrado. Ela observava o cordão de isolamento com uma frieza que escondia o terror. — A imprensa está em cima de cada documento que você vazou. Você abriu a porta para o sistema entrar onde ele não era convidado, Lucas.
— Eu precisava parar as máquinas — ele respondeu, a voz rouca. Ele tateou o bolso interno da jaqueta, onde a chave do cofre bancário pesava como uma sentença. — O livro está com ele, Helena. Mas eu ainda tenho isso.
Helena fixou o olhar na chave. — A polícia não está aqui apenas pela demolição. Eles estão aqui porque quem financia a fachada da Associação precisa garantir que o que está dentro daquele banco nunca veja a luz do dia. Se você usar essa chave, o sistema que protege essas famílias colapsa junto com o prédio.
Lucas não esperou pela resposta. Ele sabia que o tempo era uma variável finita: 08:05 da manhã. Ele deixou Helen
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