Chapter 8
O zumbido do telefone de Arnaldo, sobre a bancada de corte da loja de Helena, não era uma notificação comum. Era um som metálico, uma vibração urgente que cortava o silêncio tenso da loja. Lucas observava o Enforcer, cujo rosto, antes esculpido em uma máscara de autoridade inabalável, agora exibia uma palidez doentia.
— Você não tem ideia do que abriu, Lucas — a voz de Arnaldo era um sussurro rouco. Ele olhou para o visor do aparelho e recuou um passo, como se a tela estivesse em chamas. A notícia da denúncia sobre o fundo de reserva da associação já corria nos portais nacionais. O poder de Arnaldo, construído sobre décadas de silêncio e favores ocultos, começava a esfarelar em tempo real.
Helena, encostada na máquina de costura, mantinha os olhos fixos em Lucas. Ela não se movia, mas a mão apertava o tecido de seda com tal força que os nós dos dedos estavam brancos.
— O que eu abri foi a única porta que você deixou trancada — Lucas respondeu, sentindo o peso do livro de registros na mochila. Ele não recuou. O medo estava lá, pulsante, mas a urgência da demolição das 08:00 o mantinha ancorado.
Arnaldo deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Lucas, mas o zumbido do telefone recomeçou. Desta vez, ele não atendeu. Ele sacou o aparelho, os dedos digitando freneticamente. Não era um pedido de socorro à polícia, era uma ordem. Ele estava acelerando a chegada das máquinas.
— Se o meu nome vai para a lama, o quarteirão vai junto — sibilou Arnaldo, antes
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