Chapter 5
A umidade de Chinatown não era apenas climática; era uma camada de sujeira que se colava à pele, uma lembrança constante de que o bairro estava sendo vendido por partes. Lucas entrou no apartamento às 03:12, o silêncio do cômodo pesando mais do que o cansaço. O jornalista não respondera. As provas físicas que ele tentara entregar haviam sido interceptadas, reduzidas a cinzas pelo Enforcer, que agora segurava a vida de seu pai em uma pasta de couro como se fosse um simples ativo imobiliário. A demolição começaria em menos de cinco horas.
Ao tatear o fundo da mochila, seus dedos roçaram algo incomum. Um envelope pardo, escondido entre o forro rasgado e a base rígida da bolsa. Dentro, uma nota manuscrita com a caligrafia de Helena: “Se você chegou até aqui, é porque a máscara caiu. Eles não querem o prédio, Lucas. Eles querem o que o prédio protege.”
A batida na porta, às 03:45, interrompeu seus pensamentos. Era Arnaldo. A máscara de preocupação do homem era uma afronta, mas Lucas abriu a porta, mantendo a corrente de segurança.
— O Enforcer não quer apenas o quarteirão — disse Arnaldo, a voz trêmula no corredor mal iluminado. — Ele precisa que a lista de 2018 desapareça. Se aquele livro surgir, o status dele desmorona. Ele
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