The Locked Family Box
O café na mesa de fórmica estava frio, uma película oleosa refletindo a luz fluorescente de Chinatown. O Enforcer, um homem cujo terno cinza parecia uma armadura contra a humanidade, deslizou o documento de transferência de propriedade. O papel timbrado, com o brasão da associação, brilhava como uma sentença de morte.
— O quarteirão não espera pela sua hesitação, Lucas — disse ele, checando o relógio. — Oito da manhã. A demolição é um fato. Só falta a sua assinatura para que o fundo seja liquidado. É uma transação limpa.
Lucas sentiu o metal da chave do cofre no bolso da jaqueta. Era um peso frio, uma âncora. Se assinasse, ele não apenas dissolveria a associação; ele entregaria a lista de nomes, a rede de proteção que mantinha famílias invisíveis ao Estado.
— A auditoria da prefeitura está incompleta — Lucas respondeu, forçando a voz a manter a calma. — As contas de 2018 estão em aberto. Sem clareza sobre o fluxo de caixa, essa assinatura não existe.
O Enforcer inclinou-se, o sorriso não chegando aos olhos. — O tempo de auditoria acabou. Amanhã, às oito, o que você chama de irregularidade será apenas entulho.
Lucas levantou-se, deixando o café intocado. Ele precisava de Arnaldo. A loja de tecidos, um labirinto de seda e poeira, parecia menor, mais claustrofóbica. Encontrou o tio debruçado sob
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