A Última Assinatura
O mármore do Tribunal de Justiça de São Paulo não era apenas pedra; era a fronteira final. Beatriz sentia o peso do livro-razão contra as costelas, uma arma de papel e tinta que pesava mais que qualquer revólver. Faltavam exatos 120 minutos para o fechamento do inventário. O ar no saguão estava saturado pela umidade da chuva que castigava a cidade e pelo suor frio de homens que, até aquela manhã, acreditavam ser intocáveis.
Dr. Arnaldo Lane estava parado no centro do salão, cercado por uma redoma de silêncio forçado. Ele não olhava para a imprensa; seus olhos, injetados de ódio, estavam fixos em Beatriz. A segurança privada, antes uma muralha, agora parecia hesitante, acuada pelos flashes das câmeras que Beatriz convocara como escudo.
— O inventário está suspenso, Arnaldo — a voz de Beatriz não tremeu. Ela caminhou até a mesa principal, ignorando o juiz que tentava, sem sucesso, recompor a dignidade. — Não por ordem de um magistrado comprado, mas pela evidência que o senhor mesmo tentou enterrar nas paredes da mansão. O Protocolo 00-Alfa não é mais um segredo de família. É uma confissão pública.
O juiz, com as mãos trêmulas, tentou erguer o martelo. — Isso é uma interrupção ilegal, senhorita Lane. A senhora não tem autoridade... — Sua voz falhou quando Beatriz abriu o livro na página marcada. O nome dele aparecia ali, ao lado de valores que tr
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