O Cerco Final
A chuva em São Paulo não limpava nada; ela apenas empurrava a sujeira para os bueiros. Beatriz sentia o motor do sedã roubado vibrar sob seus pés, uma pulsação mecânica que competia com o ritmo frenético de seu coração. No banco do carona, o livro-razão, envolto em plástico, parecia emitir um calor radioativo. Faltavam exatamente duas horas para o fechamento do inventário no Tribunal de Justiça. Se ela não estivesse lá, a fortuna dos Lane seria legalizada, e o Protocolo 00-Alfa se tornaria um fantasma jurídico impossível de exorcizar.
Um impacto seco na traseira do carro a jogou contra o cinto de segurança. O sedan preto dos mercenários de Arnaldo não queria apenas pará-la; queria destruí-la. Beatriz girou o volante, sentindo o pneu traseiro perder tração no asfalto ensopado. Ela não podia se dar ao luxo de ser cautelosa. Com uma manobra brusca, ela forçou o veículo perseguidor contra o canteiro central da Avenida Paulista. O som de metal rasgando metal foi um grito agudo que se perdeu na tempestade. Ela não olhou para trás. A sósia, deixada no bunker de Petrópolis, era um sacrifício necessário. A sobrevivência de Helena — e a sua própria — dependia daquela única, maldita pasta.
Ao chegar aos portões de serviço do Tribunal, a cena era de uma calma tensa. Dois advogados da família Lane, impecáveis em seus ternos italianos, bloqueavam a entrada. Atrás deles, o segurança do tribunal, um homem cujas mãos estavam tão sujas quanto
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