A Traição de Sangue
O ponteiro dos segundos no painel do carro parecia um bisturi cortando o silêncio da cabine. 02:58:12. O tempo para o inventário dos Lane não era apenas uma formalidade jurídica; era o prazo de validade da minha própria vida. A chuva em São Paulo não lavava nada; ela apenas escondia o rastro de óleo e sangue que a família deixava por onde passava.
O SUV de Vagner, um monstro de aço blindado, colou na minha traseira. Ele não precisava de pressa; ele sabia que a cidade estava contra mim. Entrei na alça de acesso à Rodovia Washington Luís, o motor do sedã alugado gritando em protesto. O blefe do e-mail programado para a Polícia Federal — uma bomba relógio de metadados que eu enviei antes de sair da zona portuária — era minha única defesa. Se Vagner me parasse, o sistema dispararia. Se ele me matasse, a verdade sobre o Protocolo 00-Alfa seria pública em dez minutos.
— Você está me vendo, não está, Helena? — sussurrei, encarando a lente de uma câmera de trânsito que parecia girar apenas para me seguir.
O bunker em Petrópolis não era um mito. Era o centro nervoso de uma linhagem que tratava pessoas como ativos contábeis. Quando finalmente estacionei na encosta enlameada, o relógio marcava 02:15. O frio da serra cortava como uma lâmina, mas o suor frio na minha nuca era pior. Eu não tinha armas, apenas o livro-razão e a certeza de que a sósia que eu vira na clínica era apenas o primeiro sacrifício de uma longa lista.
Forcei a grade de ventil
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