A Herdeira da Verdade
O relógio do saguão do tribunal, um monstro de bronze que ditaria o destino dos Lane, parou às 15h42. O silêncio que se seguiu foi mais cortante que o estrondo dos trovões lá fora. Beatriz, com o casaco encharcado colado ao corpo, sentiu o peso do cartão de acesso ao cofre de Arnaldo no bolso. Não era apenas plástico; era a sentença de morte de um império.
Arnaldo Lane, o homem que transformara a justiça em mercadoria, estava encurralado entre as lentes das câmeras e o desespero de seus próprios aliados. O juiz, seu peão mais caro, fora retirado do tribunal sob escolta, a toga manchada pela exposição do Protocolo 00-Alfa.
— Você acha que isso termina aqui? — Arnaldo sibilou, a voz trêmula de ódio contido. Ele tentou sinalizar para Mendes, o chefe de segurança, mas o homem, percebendo a maré virar, apenas recuou. A dissidência interna dos Lane era um vírus, e Beatriz o havia injetado com sucesso.
— O império não é a fundação desta cidade, Arnaldo. É o seu túmulo — Beatriz respondeu, a voz firme, sem o tremor que a acompanhara durante meses de perseguição. Ela não esperou pela resposta. O tempo legal para a declaração de desaparecimento de Helena expirava em menos de duas horas, e o bunker de Petrópolis ainda guardava a última peça do quebra-cabeça.
Ao chegar
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