A Queda do Patriarca
O relógio digital no painel do táxi marcava 14:12. Faltavam exatamente cinco horas para a audiência de inventário que selaria o destino de Helena e, por extensão, o de Beatriz. A chuva de São Paulo não era apenas um fenômeno meteorológico; era uma cortina de fumaça que escondia a podridão dos Lane. Beatriz observava o reflexo do vidro, o laptop furtado pesando contra suas costelas como uma prova de vida que ela não tinha certeza se conseguiria manter.
Ela saltou do carro na Rua Santa Ifigênia, ignorando o protesto do motorista. O cybercafé era um cubículo insalubre, mas o anonimato ali era a única moeda que ela ainda possuía. Seus dedos, trêmulos pelo frio e pela adrenalina, voaram sobre o teclado. Ela não enviaria o livro-razão para a imprensa — Ricardo já havia provado que a integridade jornalística era um mito comprado pelos Lane. Em vez disso, ela acessou o portal de auditoria fiscal, direcionando os arquivos para um auditor interno que ela identificara no livro como um elo fraco, alguém que, por despeito ou ganância, não ignoraria uma denúncia de desvio de ativos.
Clique. O envio foi concluído. A barra de progresso atingiu 100%, mas, em vez de alívio, uma notificação vermelha pulsou na tela: Protocolo de Rastreamento Ativado.
O sangue de Beatriz gelou. Arnaldo não estava apenas vigiando; ele estava esperando por qualquer movimento digital. Ela arrancou o drive, sentindo o calor do dispositivo, e correu para a saída. A rua estava um caos de luzes de neon refletidas nas poças. Ela precisava de um ponto cego
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