Criptografia de Sangue
O metal das algemas cortava os pulsos de Beatriz, um lembrete constante de que, na mansão Lane, a justiça não era cega; era apenas um ativo financeiro. O porão blindado da ala leste não era apenas um cativeiro; era um cofre de carne e osso. Através do monitor de segurança, ela viu Helena. A herdeira estava estirada em um catre, a respiração lenta, o rosto pálido sob a luz fluorescente que nunca se apagava. O Protocolo 00-Alfa não era um mito administrativo; era a sentença de morte de Helena, agendada para daqui a exatas seis horas, quando a assinatura final do inventário exigiria sua presença física.
Dr. Arnaldo entrou na sala de vigilância. O tilintar do gelo em seu copo de uísque soava como uma contagem regressiva. Ele não olhou para Beatriz, apenas para a tela.
— Você sempre teve o dom da inconveniência, Beatriz — a voz era um sussurro polido, desprovido de qualquer calor. — Achar que poderia resgatar alguém que não deseja ser salva é um erro de julgamento que me custou caro. E a você, custará o resto da sua liberdade. O inventário será assinado em seis horas. Meus investidores não aceitam ruído.
Beatriz sentiu o peso da cópia digital do livro-razão, escondida no forro de sua jaqueta, jogada sobre uma poltrona próxima. O livro não era apenas um registro;
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