O Labirinto de Paredes Falsas
O relógio digital no pulso de Beatriz piscava em vermelho: 05:42:10. O tempo não era apenas uma contagem; era a velocidade com que a família Lane apagava a existência de Helena. Escondida atrás de um contêiner de lixo industrial, Beatriz sentia o cheiro acre de chuva misturado ao óleo dos caminhões que entravam na mansão. Não era uma reforma; era uma demolição seletiva. Cada caminhão que saía carregava entulho, mas Beatriz sabia que ali iam as provas do Protocolo 00-Alfa.
A mansão, antes um santuário de opulência, agora parecia uma fortaleza em estado de sítio. Viaturas da Polícia Civil patrulhavam o perímetro, seus giroscópios pintando a chuva de azul e vermelho. Beatriz não precisava do livro-razão para saber que aqueles homens não estavam ali para investigar o desaparecimento de uma herdeira, mas para garantir que o silêncio fosse mantido. O Delegado Valente, cujo nome estava gravado na página 42 do livro como o maior beneficiário de propinas, coordenava a segurança pessoal de Arnaldo.
Beatriz esperou o caminhão de carga manobrar. Quando o motorista desceu para conferir a trava, ela se moveu. O frio da chuva penetrava suas roupas, mas a adrenalina era um fogo constante. Ela não tinha mais o suporte de Lucas; ele fora silenciado ou comprado. Estava sozinha. Ela deslizou pelos dutos de ventilação da ala de serviço, o metal raspando seus joelhos, o som da chuva abafado pelo zumbido dos geradores. O objetivo era o escritório de Arnaldo. Se o livro-ra
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