A Assinatura do Medo
A chuva de São Paulo não lavava, apenas corroía. Beatriz sentia o peso do livro-razão contra o peito, um volume de papel amarelado que parecia pulsar como um coração condenado. Atrás dela, o cortiço de Lucas era agora uma cena de crime limpa pela polícia, o hacker levado como um pacote descartável. Ela não tinha mais para onde correr, apenas para onde se esconder.
O relógio no pulso marcava o tempo que restava até o inventário: dez dias. Dez dias para que o Protocolo 00-Alfa fosse selado e sua existência, apagada. Ela precisava de um megafone, não de um esconderijo. Precisava de Ricardo, o jornalista que ainda mantinha a fachada de cão de guarda da elite.
O restaurante nos Jardins era um santuário de mármore e silêncio, um contraste brutal com a lama que Beatriz carregava nas botas. Ricardo a esperava em uma mesa reservada, o terno impecável, o sorriso de quem já havia vendido a alma por um lugar à mesa dos Lane.
— Você parece uma fugitiva, Beatriz — ele disse, a voz destilando um desdém polido. — O que é tão urgente para arriscar ser vista aqui?
Beatriz não respondeu com palavras. Deslizou o livro-razão pelo tampo frio. O som do couro batendo no mármore foi o único ruído na sala.
— O Protocolo 00-Alfa. Helena não desapareceu. Ela foi liquidada. E aqui estão o
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