Chapter 10
O escritório privativo na ala executiva do hotel cheirava a café frio e eletricidade estática. Helena mantinha a coluna ereta, as mãos ocultas sob a mesa de carvalho polido para esconder o tremor que a adrenalina não conseguia apagar. À sua frente, Otávio, o braço direito de Ricardo, parecia diminuir sob o peso do silêncio. Ricardo permanecia entre Helena e a porta, uma muralha de ombros largos e intenção fria. Quando ele acionou o dispositivo de gravação, o som da própria voz de Otávio — detalhando a logística da chantagem — preencheu o ambiente como uma confissão de morte.
— O jogo acabou, Otávio — a voz de Ricardo era um murmúrio perigoso. — Quem é o mentor? A rede que você serve não se contenta com o meu patrimônio. Eles querem a desestabilização total.
Otávio soltou uma risada seca, o rosto pálido transfigurado por uma arrogância nervosa. Ele lançou um olhar cortante a Helena. — Você acha que é sobre dinheiro, Ricardo? O mentor não quer a sua empresa. Ele quer o seu legado deslegitimado. E a peça-chave não é a contabilidade que você protege. É a herdeira que você trouxe para este jogo de cena.
Helena sentiu o ar faltar. O nome de Arthur ecoou em sua mente como um sinal de alarme. Otávio foi levado pela segurança, mas o dano estava feito: a estrutura de poder de Ricardo estava comprometida, e o prazo de segunda-feira parecia agora uma sentença de execução.
Mais tarde, na suíte, a vista noturna de São Paulo parecia uma rede de luzes indiferentes. Ricardo serviu dois copos, o tilintar do gelo soando como um cr
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