Chapter 9
O brilho azulado da tela do computador na suíte de Ricardo cortava a penumbra como uma lâmina fria. O ritmo frenético dos algarismos regressivos no canto do monitor, sobrepondo-se ao sistema de segurança do hotel, não era apenas um erro técnico; era uma declaração de guerra. Faltavam menos de doze horas para a segunda-feira, mas o prazo que realmente importava — aquele que contava os segundos para a exposição total de Arthur — tornara-se uma contagem regressiva impiedosa.
— Você me garantiu que o rastro digital do traidor estava sob controle — a voz de Helena era um fio tenso, cortante. Ela manteve uma distância estratégica, recusando-se a ceder ao magnetismo daquela proximidade forçada.
Ricardo girou a cadeira, os olhos fixos nela, a rigidez em seus ombros entregando a tensão que sua expressão neutra tentava mascarar.
— O rastro era real, Helena. O problema é que era uma isca — respondeu ele, sem hesitação. — Otávio não cometeu um erro de amador. Ele foi sacrificado para nos atrair para uma rede que eu mal sabia que existia. Eles não querem apenas a falência do meu grupo; querem o controle do que temos de mais vulnerável.
Helena sentiu um frio glacial ao notar que o hacker deixara uma mensagem cifrada. O código apontava diretamente para uma conta offshore vinculada à herança de Ricardo. O jogo mudara: o noivado fake não era mais apenas uma fachada social, era um campo minado.
Mais tarde, no lobby do hotel, o ar parecia denso. Helena ajustou a bolsa, sentindo o peso do dispositivo de escuta que instalara sob a mesa de mármore. Otávio, o braço direito de Ricardo, sentou-se à sua frente com uma elegância calculada que, agora, ela lia como puro cinismo.
— O livro
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