Chapter 8
O escritório de Ricardo cheirava a café frio e a uma tensão metálica, quase palpável. Helena não se sentou; ela permaneceu como uma estátua de vidro diante da mesa de mogno, as mãos cravadas na borda de madeira polida. Lá fora, São Paulo brilhava com uma indiferença cruel, ignorando que, em menos de quarenta e oito horas, a vida de Helena seria reduzida a cinzas por um escândalo financeiro que ela própria ajudara a desmascarar.
— O nome, Helena. Agora — Ricardo repetiu. Sua voz não tinha a arrogância habitual; era bruta, desprovida de qualquer afetação de poder. Ele não tentava seduzi-la; ele tentava sobreviver. — O homem que vazou os dados não é um estranho. É meu braço direito. Ele conhece cada fresta da minha vida, cada segredo que enterrei para manter este império de pé. Se você não me der o nome, não terei como proteger o que você mais teme perder.
Helena sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao ouvir a admissão de Ricardo. Ele, o homem que sempre controlara tudo, admitia que a segurança de Arthur — seu filho, seu único ponto de ancoragem — saíra do seu controle.
— Você quer o nome para salvar sua reputação — retrucou ela, a voz firme apesar do coração martelar contra as costelas. — Eu quero a garantia de que Arthur está em um local seguro. Não vou entregar a única vantagem que tenho enquanto meu filho estiver na mira de um fantasma.
Ricardo sustentou o olhar dela por um segundo eterno antes de ceder. Ele puxou o rádio de comunicação e deu uma ordem direta para sua equipe de segurança pessoal. O
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