Chapter 6
A vista da cobertura do Hotel Imperial era uma vitrine de poder, mas Helena não via a cidade. Seus olhos estavam fixos na ponta dos dedos de Ricardo, que tamborilavam sobre a mesa de mogno com uma cadência que martelava seus nervos. O silêncio no escritório era denso, carregado pelo cheiro de café amargo e pelo prazo que se esvaía em horas.
— O livro-razão não é um brinquedo, Helena — Ricardo disse, a voz desprovida de qualquer emoção que não fosse a frieza de um negociador. — Sua tia não é uma santa. Onde está o registro? O escândalo de segunda-feira não vai esperar sua lealdade familiar.
Helena endireitou a coluna. O encontro com Marcelo na noite anterior plantara uma semente de dúvida: se a ameaça ao filho não viera dele, a fonte do perigo era Ricardo ou alguém sob seu comando.
— Minha lealdade não está em questão, Ricardo. A segurança de Arthur está — ela respondeu, avançando um passo. — Você quer o nome de quem tirou o livro do cofre? Então tire meu filho da linha de fogo. Hoje. Agora.
Ricardo parou de tamborilar. Seus olhos escuros, que antes a observavam com desdém, agora a avaliavam como alguém que conhecia o peso de sua ruína. Ele não esperava que a mulher que ele considerava subjugada pelo noivado de fachada se tornasse uma negociadora. Ele concordou com um aceno quase imperceptível, mas o brilho em seus olhos era de quem ainda mantinha um trunfo na manga.
Helena saiu do escritório e foi direto à loja de Ester. O sino da porta soou como um tiro. Ela não esperou por um convite; a porta bateu com força, fazen
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