Chapter 5
A vista da cobertura de Ricardo era uma extensão fria de luzes de São Paulo, mas para Helena, parecia o contorno de uma cela de vidro. O anel de noivado — um diamante que custava mais do que a loja de sua tia — pesava em seu dedo como um grilhão. O tique-taque do relógio na parede da sala não marcava horas; contava os minutos para a segunda-feira, o dia em que o escândalo financeiro destruiria o que restava de sua dignidade.
Ricardo surgiu atrás dela. Ele não a tocou, mas sua presença era uma pressão física, uma exigência de atenção que ela não conseguia ignorar.
— O livro-razão, Helena — disse ele, a voz desprovida de qualquer afeto. — O prazo termina amanhã. Não me faça perguntar pela terceira vez quem o tirou do cofre.
Helena virou-se, mantendo a postura rígida. — Se eu soubesse, já teria entregue. Você sabe que minha prioridade é outra.
Ricardo caminhou até uma mesa lateral, pegou um tablet e o girou. A tela exibia uma imagem estática de uma rua arborizada em um bairro distante. Era a escola de Arthur. A foto era recente, tirada de um ângulo que sugeria vigilância constante. O ar escapou dos pulmões de Helena.
— Eu não brinco com o que não conheço, Helena. A segurança do seu filho é uma mercadoria cara. Garanta que o nome do ladrão esteja na minha mesa até amanhã, ou a próxima foto que você receber não será de um lugar, mas de uma ausência.
Horas depois, na loja de costura da Tia Ester, o cheiro de tecido antigo não trazia conforto. Helena fechou a porta com um estalo seco. Ester estava atrás do balcão, as mãos calejadas manuseando uma fita métrica com uma precisão que Helena agora via como ocultação.
— O livro-razão, tia. Eu preciso dele. Ricardo sabe do Arthur. Ele tem fotos, datas, o peso total da minha vida nas mãos. Se eu não entregar o nome de quem o tirou de lá, ele vai destruir o que rest
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