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Chapter 4: Chapter 4

Helena confronta a tia sobre o livro-razão e descobre uma lealdade perigosa. No evento de noivado no Hotel Imperial, Ricardo a protege de Marcelo com uma agressividade que reafirma seu controle. Pressionada por uma ameaça direta ao filho, Helena cede ao controle total de Ricardo, selando um pacto de noivado que se torna uma prisão.

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Chapter 4

O ar no ateliê da família, antes impregnado pelo cheiro de tecido novo e pela promessa de continuidade, agora cheirava a desespero. Helena encarava a tela do celular, onde uma foto de Arthur, seu filho, saindo do colégio, brilhava como uma sentença. A mensagem anônima que a acompanhava era curta: O tempo é uma ilusão, mas a segurança dele não.

Ela jogou o aparelho sobre a bancada, a fita métrica de couro enrolando-se como uma serpente ao lado do cofre vazio.

— Onde está o livro, tia Ester? — Helena exigiu, a voz desprovida de qualquer doçura. — Marcelo está lá fora, Ricardo está me sufocando e meu filho está na mira de alguém que sabe exatamente onde ele estuda. Se esse desfalque for exposto na segunda-feira, não é apenas a loja que cai. Eu perco a guarda do Arthur.

Ester, sentada em sua cadeira de balanço, mantinha as mãos calejadas imóveis sobre o colo. Havia uma rigidez em sua postura que Helena não reconhecia.

— Você não entende a extensão da teia, Helena — murmurou a tia, sem desviar o olhar. — Se o livro reaparecer, os documentos que incriminam a família não destruirão apenas o nosso nome. Eles derrubarão aliados que você ainda considera intocáveis. Às vezes, o silêncio é a única armadura que nos resta.

Helena sentiu o sangue gelar. A lealdade de Ester não era para com a empresa, mas para com o traidor. O inimigo não estava apenas dentro de casa; ele era parte da mobília.

*

O salão de baile do Hotel Imperial não foi projetado para o conforto; foi desenhado para a humilhação pública. Sob a luz fria dos lustres de cristal, Helena sentia-se uma peça de xadrez sendo movida por Ricardo. Ele a mantinha próxima, a mão espalmada em sua cintura, não como um gesto de carinho, mas como um selo de propriedade.

— Sorria, Helena. A imprensa não aceita noivas tristes — Ricardo sussurrou contra a curva do seu pescoço. O tom era

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