The Cost of Protection
O escritório da tia Dirce cheirava a café requentado e desespero contido. Helena observou o cofre de aço aberto, uma boca escancarada que devorara o livro-razão na véspera do evento. O vazio ali dentro não era apenas uma ausência de papel; era a contagem regressiva para a segunda-feira, o dia em que o desfalque da loja seria exposto.
— Ele sabe, Helena — Dirce disse, a voz trêmula, mas firme. Ela estava encostada na porta, os dedos calejados de décadas de costura apertando o avental. — Ricardo não propôs esse noivado por capricho. Ele estava caçando esse livro antes mesmo de nós notarmos o sumiço.
Helena endireitou a coluna, forçando a calma que a mantinha viva. — O noivado é a coleira, tia. O livro é a arma. Se ele encontrar as páginas que faltam, ele não apenas assume o controle; ele me destrói antes que eu possa proteger o que realmente importa.
— E o seu filho? — O sussurro de Dirce fez o ar da sala parecer rarefeito. — Se Ricardo descobrir que a existência dele é a peça que falta nesse tabuleiro...
Helena não respondeu. Não podia. Saiu do escritório sob o olhar vigilante do motorista de Ricardo, um lembrete de que sua liberdade era agora uma ilusão vigiada.
*
O escritório de Ricardo era um santuário de mogno e vidro, mantido em uma temperatura que parecia despojar Helena de qualquer calor humano. Sem preâmbulos, ele empurrou um tablet em sua direção. Na tela, uma pasta digital estava aberta: registros contábeis que Helena acreditava terem sido incinerados cinco anos at
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