The Public Misread
O salão do Hotel Imperial não era um ambiente, era uma sentença. Sob a luz fria dos lustres de cristal, cada movimento de Helena era vigiado, pesado e, inevitavelmente, julgado. Ao seu lado, Ricardo mantinha a mão espalmada contra a curva de sua cintura. Para os convidados, era o toque possessivo de um noivo apaixonado; para Helena, era a pressão de uma algema que a impedia de fugir.
— Sorria, Helena — murmurou ele, a voz baixa, um roçar de lábios quase imperceptível contra seu pescoço. — O fotógrafo do Diário da Capital está posicionado às três horas. Se você parecer uma noiva a caminho do cadafalso, o conselho administrativo considerará nosso contrato nulo. E você sabe o que acontece com a loja da sua tia se isso ocorrer.
Helena forçou um sorriso, sentindo a falsidade travar seus músculos faciais. O livro-razão — a prova que poderia inocentar sua família e comprar sua liberdade — havia desaparecido de seu cofre na noite anterior. Cada segundo ali era um jogo de roleta russa. Enquanto Ricardo a conduzia pelo salão, ele não estava apenas protegendo a reputação dele; ele a monitorava como um predador em território hostil, varrendo o ambiente em busca de ameaças.
— Eu não esqueci o que está em jogo — respondeu ela, a voz glacial. — Mas Marcelo está nos observando desde que entramos. Ele sabe de algo, Ricardo.
Antes que ele pudesse responder, a figura de Marcelo surgiu entre os convidados, o sorriso cínico não alcançando os olhos pequenos e calculistas. Ele interrompeu o passo do casal com uma elegância predatória.
— Helena, que surpresa vê-la aqui, e ainda sob a proteção do Sr. Valente — Marcelo disse, a voz cortando a música ambiente.
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