The Contract Clause
O salão do Hotel Fasano não era um ambiente; era uma sentença. O brilho dos lustres de cristal, a orquestra contida e o perfume caro que pairava no ar formavam uma vitrine de poder onde Helena, com seu vestido de seda que custara o aluguel de três meses, sentia-se uma intrusa em um território de predadores. Ela não estava ali por escolha. Estava ali porque o livro-razão de seu pai — o único registro que provava a fraude que destruíra sua família — havia desaparecido de seu cofre na noite anterior.
— Você parece uma estranha neste ambiente, Helena. Ou talvez, apenas uma fugitiva.
A voz de Ricardo cortou o ruído de taças de champanhe. Ele não se aproximou como um pretendente, mas como quem inspeciona uma mercadoria. Ricardo era o homem que sustentava as dívidas da loja de sua tia, o Enforcer que, com um único telefonema, poderia transformar sua vida em cinzas. Ele segurava uma pasta de couro, um objeto tão comum quanto letal.
— O jogo de cena termina aqui, Ricardo — Helena respondeu, mantendo a voz baixa, o queixo erguido. Sua dignidade era o último ativo que lhe restava. — O que você quer desta vez?
Ele sorriu, um gesto que não alcançava os olhos frios. Ele estendeu a mão, não para ela, mas para o espaço vazio ao seu lado, simulando uma intimidade que não existia.
— O mercado está inquieto, Helena. Minha reputação precisa de uma âncora, e você... bom, você precisa de um milagre para salvar o espólio da sua família. O livro-razão que você escondeu não é apenas papel; é a evidência de que a queda da sua família foi um projeto, não um acidente.
A porta da suíte pri
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