Chapter 11
O diamante no anelar de Ana Clara não era um símbolo de união, mas uma algema de platina. Ela observava a joia no quarto da suíte presidencial, onde o silêncio era tão denso quanto a ameaça que pairava sobre a coletiva de imprensa da manhã seguinte. Cada vez que ela tentava remover a aliança, a imagem do rosto de Pedro — a confusão dele ao ser questionado na escola — a obrigava a mantê-la no lugar. A porta se abriu com um clique seco. Rafael Montenegro entrou, o paletó pendurado no ombro, o olhar fixo em um ponto além dela. Ele não trouxe palavras de conforto; trouxe a urgência de um homem em guerra.
Sem trocar cumprimentos, ele lançou um tablet sobre a mesa de mogno. O visor exibia capturas de tela: fragmentos de uma conversa vazada para um tabloide, detalhando a cronologia da matrícula de Pedro.
— Armando não esperou pela coletiva — disse Rafael, a voz cortante. — Ele começou a soltar as peças agora. Se o público conectar a data da matrícula ao seu histórico na fundação antes de subirmos ao palco, a auditoria que iniciei contra ele se tornará irrelevante. Ele quer que a farsa desmorone antes de termos a chance de ditar a narrativa.
Ana Clara sentiu o estômago revirar. A estratégia de Rafael de usar a doação de três milhões como escudo parecia, de repente, uma muralha de papel.
No escritório de Rafael, o telefone no viva-voz ecoava como um disparo.
— O jogo mudou, Armando — a voz de Rafae
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