Chapter 12
A suíte no vigésimo andar do hotel era uma fortaleza de vidro, mas para Ana Clara, as paredes pareciam encolher a cada segundo. Sobre a mesa de mogno, o dossiê da auditoria forense detalhava os desvios de Armando como uma sentença de morte financeira. Rafael Montenegro não olhava para os números. Ele encarava a própria imagem refletida na janela escura da cidade, as mãos enterradas nos bolsos do paletó sob medida, a mandíbula travada em uma linha de aço.
— A testemunha não é apenas alguém que viu você na secretaria da escola, Ana — a voz dele cortou o silêncio, desprovida de hesitação. — Armando subornou o antigo funcionário da administração. Eles têm o registro do dia em que você assinou o nome dele. Se apresentarem isso amanhã, não é apenas um escândalo público. É perjúrio. É cadeia.
Ana Clara sentiu o estômago revirar. A dignidade era a única armadura que lhe restava, e ela a vestiu como se fosse uma cota de malha. Ela caminhou até a mesa e tocou a borda do documento.
— Então, por que ainda vamos subir naquele palco? Se você assumir essa culpa, Armando vai devorar sua reputação antes que o tribunal processe a auditoria.
Rafael girou sobre os calcanhares. A distância entre eles diminuiu até que o calor de sua presença fosse quase opressivo. Ele não buscou o conforto de um toque, apenas a precisão de um acordo selado pelo perigo.
— Eu não vou apenas assumir a culpa — disse ele. — Vou antecipar o golpe. Vou expor os desvios de Armando antes que ele possa abrir a boca. O perjúrio será o menor dos problemas dele quando o Ministério Público receber o que temos aqui.
Na manhã seguinte, o salão de eventos do hotel fervilhava. O ar estava denso, carregado com o cheiro de café caro e a eletricidade estática de dezenas de câmeras. Ana Clara ajus
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