Chapter 8
A luz da manhã de terça-feira não trazia alívio, apenas a contagem regressiva para as 11h. Ana Clara encarava o contrato sobre a mesa de mogno no escritório de Rafael. As assinaturas que secaram ontem pareciam zombar de sua tentativa de controle; a cláusula de salvaguarda, que ela redigira para proteger a custódia de Pedro, agora era um alvo pintado nas costas de seu filho.
Rafael entrou sem bater, o movimento fluido e contido de um homem que habituara-se a caminhar sobre brasas. Ele não trazia café, mas o peso de uma nova urgência. Sem uma palavra, deslizou um tablet sobre o tampo de vidro. A manchete de um tabloide digital brilhava com crueldade: “O Herdeiro Fantasma de Montenegro: A verdade escondida atrás da doação milionária”.
— Lúcia não está apenas chantageando — disse Rafael, a voz despida de qualquer tom de flerte. — Ela está vazando fragmentos escolhidos para desestabilizar o conselho antes mesmo da cerimônia. Armando quer que eu chegue ao civil com a reputação em frangalhos para forçar minha renúncia à presidência. O contrato que assinamos é a única coisa que me mantém no cargo, mas ele está usando o boato de paternidade como alavanca para tornar minha gestão insustentável.
Ana Clara sentiu o estômago revirar, mas manteve a coluna ereta. A dignidade era a única armadura que lhe restava. Ela deslizou o dedo pela tela, vendo o estrago: fotos da matrícula escolar de Pedro, datadas de cinco anos atrás, com a assinatura falsificada de Rafael. O documento original, que ela guardava como prova de que a farsa era apenas um meio de sobrevivência, agora era a arma de Armando.
— Se ele tem a cópia, ele tem o poder de me levar à ruína e tirar Pedro de mim — Ana Clara murmurou, a voz firme apesar do tremor interno. — Você disse que a cláusula de salvaguarda nos protegeria. Onde está a falha?
Rafael contornou a mesa, aproxi
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