Chapter 7
O estacionamento subterrâneo da Holding Montenegro cheirava a concreto úmido e exaustão. O silêncio ali era denso, um contraste violento com o zumbido dos flashes que ainda reverberavam na mente de Ana Clara. Ela mal conseguia processar a coletiva de imprensa quando Lúcia, a secretária de Armando, surgiu de trás de uma coluna de sustentação. Não havia mais a máscara de eficiência profissional; seus olhos, frios e calculistas, fixaram-se na aliança no dedo de Ana Clara com um desdém que cortava o ar.
— O espetáculo foi impecável, Ana — Lúcia disse, a voz ecoando contra o teto baixo. Ela estendeu um envelope pardo, grosso, que parecia conter o peso de uma sentença. — Mas o público é volúvel. Eles amam uma mentira bem contada, até que alguém apresenta a prova do crime. A escola, o juiz, a sua vida inteira construída sobre o nome de um homem que você nunca viu há cinco anos. Se isso vazar, Rafael não apenas perde a presidência; ele perde a dignidade.
Ana Clara manteve as mãos firmes ao lado do corpo, sentindo o sangue fugir de seu rosto. Ela não tocou no envelope. Sabia exatamente o que continha: as fotos da sua gravidez, os registros onde o nome de Rafael Montenegro fora inserido sem o seu consentimento, um crime de falsidade ideológica que Armando Montenegro usava como uma coleira de ferro em seu pescoço.
— O que você quer, Lúcia? — a voz de Ana Clara saiu firme, apesar da náusea. — Dinheiro não basta para alguém que serve ao Armando.
— Dinheiro é para quem não tem ambição. Armando quer o controle total. E o controle exige que esse noivado saia do papel e entre no cartório. Casamento civil, amanhã, às onze. Sem isso, a verdade sobre o pequeno Pedro se torna a manchete de todos os jornais do país.
Ana Clara não esperou por uma resposta. Girou nos calcanhares e caminhou em direção ao elevador privativo, o coração martelando contra as costelas. A urgênci
Preview ends here. Subscribe to continue.