Chapter 6
O ar-condicionado do foyer do Copacabana Palace parecia inútil contra a estática que emanava da multidão de repórteres. Ana Clara ajustou o blazer, sentindo o peso do envelope escondido sob a bolsa — fotos de sua gravidez, datadas e cruéis, uma munição pronta para ser disparada contra sua dignidade. Ao seu lado, Rafael Montenegro era uma muralha de indiferença aristocrática, sua armadura mais eficaz contra a voracidade da elite ali presente.
— Eles não vão recuar — murmurou ela, a voz baixa, quase soterrada pelo zumbido das câmeras.
Rafael estendeu o braço, permitindo que ela se apoiasse. Não era afeto, mas uma demonstração de posse estratégica.
— Eu também não — respondeu ele, a voz firme como granito. — Armando subestima o que estou disposto a perder.
O celular de Ana Clara vibrou. Uma mensagem sem remetente. O coração deu um salto ao abrir o arquivo: uma foto sua, tirada há trinta segundos, capturando o momento exato em que ela ajustara o blazer. O chantagista não estava apenas no prédio; ele estava observando cada falha na fachada de noiva perfeita.
Minutos depois, sob a luz agressiva do salão de conferências, o peso do anel de noivado parecia uma algema de diamantes. Armando Montenegro ocupava a terceira fileira, os olhos fixos neles com uma satisfação predatória. Quando um jornalista de um tabloide econômico questionou a súbita ascensão financeira de Ana Clara, o silêncio tornou-se absoluto.
Rafael não hesitou. Ele inclinou-se, sua mão firme sobre a cadeira dela.
— A holding Montenegro não apenas apoia, mas financia integralmente o projeto educacional que a Sra. Ana Clara lidera — declarou Rafael, a voz cortante. — Qualquer insinuação sobre sua integridade ou a orig
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