Chapter 5
O ar no apartamento de Ana Clara parecia rarefeito. O silêncio que se seguiu ao luxo do Copacabana Palace não era de paz, mas de uma asfixia iminente. Ela jogou a bolsa sobre a mesa, o som seco do metal contra a madeira ressoando como um aviso. Sob a porta, um envelope pardo a esperava—uma intrusão física em seu último refúgio. Ao rasgar o lacre, seus dedos tremiam. Não eram apenas fotos granuladas de sua gravidez de cinco anos atrás; eram documentos da holding Montenegro que detalhavam a liquidação de ativos do avô de Rafael, cruzados com datas precisas de seus registros hospitalares. A conexão era obscena: alguém não apenas sabia sobre Pedro, mas sobre a podridão financeira que Armando Montenegro tentava enterrar sob o tapete da sucessão.
Ana Clara não teve tempo de processar o pânico. A porta abriu-se sem cerimônia. Rafael Montenegro entrou, o ar ao seu redor carregado com a mesma autoridade gélida que exibira sob os flashes dos fotógrafos horas antes. Ele não esperou por um convite; seus olhos, afiados como lâminas, fixaram-se no envelope aberto na mesa.
— Você não deveria ter aberto isso sozinha — a voz dele cortou o ambiente, desprovida da polidez pública.
— Eu precisava saber o tamanho da ameaça, Rafael. Armando não quer apenas me humilhar; ele está caçando evidências para me destruir e, consequentemente, tirar o Pedro de mim.
Rafael caminhou até ela. O espaço entre eles, antes uma distância de segurança, tornou-se um campo minado. Ele tocou o papel gasto, sua mandíbula travada. — Armando não busca apenas a presidência. Ele quer apagar qualquer rastro de que o meu avô deixou herdeiros fora do casamento oficial. Se ele provar que você usou o meu nome para dar legitimidade a uma criança que ele con
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