Chapter 4
O celular de Ana Clara vibrou contra a madeira da mesa de cabeceira, um zumbido metálico que cortou o silêncio das seis da manhã. O visor exibia o nome de Rafael. Ela atendeu antes do terceiro toque, a voz presa na garganta.
— O carro estará aí em quarenta minutos — a voz dele não trazia saudações, apenas a urgência de quem já estava em guerra. — Evento beneficente no Copacabana Palace. Almoço e baile. Você vai comigo.
— Rafael, a coletiva é daqui a poucas horas. Você quer que eu me exponha ainda mais antes de termos uma narrativa oficial? — Ana sentou-se, o peso do anel de noivado em seu dedo parecendo uma âncora de metal frio. — Vão me devorar viva.
— Exatamente por isso. Se não estivermos lá, o silêncio será preenchido por Armando. Ele já está plantando a semente de que somos uma fraude. Se aparecermos hoje, sob nossos próprios termos, controlamos o ângulo da luz. Veste o que está no porta-malas do motorista. Não discuta.
A ligação encerrou-se. Ana Clara não teve tempo de processar a indignação. Na cozinha, Pedro comia seu cereal com a cabeça baixa. A inocência do menino, alheia ao jogo de xadrez que decidia seu futuro, era o que a mantinha presa àquele contrato invisível.
O Copacabana Palace parecia um aquário de luxo desenhado para a humilhação pública. Quando as portas duplas se abriram, o burburinho do salão cessou por um segundo, transformando-se em um zumbido de mil sussurros. Rafael segurou sua mão, a pressão firme, quase possessiva. Não era afeto; era um aviso de que ela era uma peça fundamental no tabuleiro dele.
Armando Montenegro esperava perto da mesa principal, observando-os com a precisão de um predador. Ao lado dele, Patrícia Albuquerque exibia um sorriso que não chegava aos olhos.
— Que entrada triunfal — Patrícia comentou, a voz melíflua ecoando no silêncio forçado. — O noivado foi tão... inesperado. Quase cinematográfico.
— A vida re
Preview ends here. Subscribe to continue.