Chapter 11
O pátio da Casa de Chá não cheirava mais apenas a ervas frescas e mel. O ar estava pesado, impregnado com o odor metálico de concreto úmido e o café queimado da resistência. Clara observava os vizinhos — o Sr. Antunes, com as mãos calejadas de pedreiro, e Dona Lúcia, que trazia mantimentos escondidos sob o xale — ocuparem cada canto do salão principal. Eles não eram apenas moradores; eram a última linha de defesa contra a demolição.
Clara estava sentada à mesa central, onde a luz da manhã atravessava as frestas das venezianas, iluminando o pó que dançava sobre o livro de registros de Elvira. O dossiê legal estava aberto ao lado, uma muralha de papel contra a pressão da holding. Ao folhear as páginas, seus dedos travaram: uma seção inteira havia sido arrancada com violência, deixando apenas uma franja de papel irregular. O investidor não era um estranho; ele conhecia os segredos contábeis da casa melhor do que a própria Elvira.
— Eles não vão recuar, Clara — Dona Lúcia sussurrou, aproximando-se com uma xícara de chá. Seus olhos, fundos e cansados, buscavam algo no rosto da protagonista que Clara não conseguia oferecer. — O Rogério era apenas a face pública. O monstro que manda nele tem dentes muito mais afiados.
O silêncio foi interrompido pelo ranger da porta. Um homem de terno cinza, impecável demais para a atmosfera rústica, entrou sem convite. Ele trazia uma pasta de couro que parecia um escudo contra a história daquele lugar.
— Clara, suponho — o advogado disse, a voz desprovida de qualquer calor humano. — Represento os interesses que o senhor Rogério, em sua precipitação, não conseguiu gerir.
Clara manteve a
Preview ends here. Subscribe to continue.