Chapter 12
A lanterna de mão desenhava sombras distorcidas nas paredes da câmara oculta sob o assoalho da Casa de Chá. O ar ali embaixo era denso, impregnado pelo cheiro de madeira úmida e pelo pó de décadas de silêncio. Clara sentia o dossiê de Elvira pesado contra o peito, mas era o mapa topográfico original — o documento que repousava sobre seus joelhos — que fazia seu estômago revirar. Não eram apenas desenhos técnicos; eram a confissão cartográfica de um crime. Ela rastreou com a ponta dos dedos as linhas vermelhas que marcavam a falha geológica. A holding não apenas ignorara o risco; eles haviam acelerado a instabilidade da encosta para forçar a desvalorização do terreno. O desastre que Rogério tentava atribuir à "antiguidade" da casa era um efeito colateral calculado de uma obra ilegal realizada anos atrás. Eles precisavam que a Casa de Chá desaparecesse antes que qualquer vistoria independente conectasse os pontos.
Um estalo seco vindo do salão principal fez Clara congelar. A eletricidade, já falha, morreu de vez, mergulhando o ambiente em um breu absoluto. O silêncio que se seguiu era predatório. Ela não precisou ver para saber: a sabotagem não era mais apenas uma tentativa de desestimulá-la. Com Rogério detido, o investidor anônimo havia enviado alguém para garantir que o mapa nunca visse a luz do dia.
Clara subiu as escadas com a agilidade de quem conhece cada tábua rangente. Ao chegar ao pátio, o cenário havia mudado. O perfume de jasmim fora substituído pelo cheiro metálico de eletricidade cortada e a poeira fina que subia das valas cavadas pela holding na encosta. Seguranças de uniforme cinza bloqueavam o acesso, mas Dona Lúcia, surgindo por uma trilha lateral, atravessou o cerco com a autoridade de uma estrategista de guerra. Ela depositou uma cesta de mantimentos sobre a mesa rústica, ignorando os protestos dos homens.
— Eles estão cercando o perímetro sob a desculpa de risc
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