Chapter 8
O silêncio na cozinha da Casa de Chá não era um vazio; era uma pressão. Sem a eletricidade, o zumbido constante dos freezers — o batimento cardíaco da rotina de Clara — havia cessado, deixando apenas o som da própria respiração e o estalo das vigas de madeira que sustentavam a encosta. Clara tateou a bancada de mármore, seus dedos encontrando a massa de fermentação natural. O toque era sua única bússola. Se a temperatura subisse, o fermento morreria, e com ele, a última conexão funcional com o legado de Elvira.
Ela acendeu um lampião de querosene. A luz bruxuleante revelou o rastro de terra úmida que levava até a despensa. O cadeado estava arrombado. O livro de registros, onde Elvira anotara cada centavo de extorsão e cada nome da holding, havia sumido. Clara não sentiu desespero; sentiu uma clareza gelada. O roubo não era um ato de vandalismo, era uma confissão de medo.
Subiu ao quarto de Elvira. Com a lanterna entre os dentes, revirou a penteadeira até encontrar o fundo falso. Não havia apenas receitas ali, mas um dossiê de cartas de advogados datadas de meses atrás. A holding não queria o terreno para construir; eles precisavam apagar a prova de que a Casa de Chá era o único
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