Chapter 7
O silêncio na Casa de Chá não era de repouso; era uma ausência agressiva. Com o corte da eletricidade, o zumbido constante das geladeiras industriais — o coração pulsante da cozinha — morrera, deixando para trás o cheiro estagnado de fermento e o frio úmido das paredes de pedra. Clara tateou o balcão de madeira no breu, seus dedos encontrando apenas a superfície fria e irregular. A gaveta dos registros, onde guardara o mapa das fundações, estava escancarada. Vazia.
Rogério não queria apenas o imóvel; ele queria apagar a prova de que a Casa de Chá era a âncora estrutural da encosta. Sem o documento, a prefeitura não teria impedimento técnico para declarar a área em risco e autorizar a demolição em favor da holding.
— Vocês não vão levar a fundação — sussurrou Clara. A voz soou estranha, um fio de resistência no escuro. Ela precisava de rotina, de algo que a mantivesse lúcida. Acendeu o fogão a gás, o clique do ignitor ecoando como um tiro no salão vazio, e começou a ferver água. O vapor subindo da chaleira era sua última trincheira contra o desespero.
Na varanda lateral, sob a umidade da tarde, Dona Lúcia a aguardava, envolta em um xale pesado. A vizinha nem esperou o cumprimento. Apontou para a rua, onde um carro preto com vidros fumê estacionava, o motor morrendo com um ruído seco.
— Eles não querem o
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