The Choice to Stay
O relógio de parede da cozinha, um cuco de madeira escura que tia Elvira insistia em manter funcionando, soou três vezes. Três dias haviam se passado desde que Clara chegara a Garopaba, e o prazo de dez dias úteis para a regularização da Casa de Chá das Ervas agora parecia uma contagem regressiva para uma execução.
Clara não estava mais apenas limpando poeira. Ela estava em guerra contra o esquecimento. Sobre a mesa de carvalho, o livro de registros de Elvira estava aberto, suas páginas amareladas revelando uma teia de resistência. Não era apenas um caderno contábil; era um diário de suborno recusado. Cada entrada marcada como "manutenção" correspondia a pagamentos que Elvira havia negado a construtoras que, segundo a prefeitura, nem sequer existiam. A dívida de 180 mil reais era uma ficção, uma engenharia financeira desenhada para forçar o leilão.
— Você não estava endividada, tia — murmurou Clara, a voz firme contra o silêncio da casa. — Você estava sendo silenciada.
Ela pegou o mapa das fundações que encontrara sob o assoalho. O papel, denso e marcado com o selo de patrimônio histórico de 1890, era sua única arma. Sem perder tempo, caminhou até a casa de Dona Lúcia. A vizinha a recebeu com o olhar vacilante de quem vive sob o peso de segredos alheios.
— Elvira não morreu de causas naturais, Lúcia — disse Clara, estendendo o mapa sobre a mesa de renda da vizinha. — Ela morreu protegendo este lugar. O investidor por trás do corretor quer apagar o registro histórico
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