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Chapter 8: Chapter 8

Kael escapa da auditoria da Academia após a luta contra o Vulto, refugiando-se na oficina de Vane. Ele confronta o mentor sobre a natureza da técnica proibida. Sora aparece para formalizar um duelo de exibição com apostas de dívida, forçando Kael a um reparo de emergência perigoso que deixa o Ferrugem em estado crítico antes do confronto final.

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Chapter 8

O cronômetro no visor do Ferrugem não mentia: 11 horas, 42 minutos. O âmbar do dígito parecia queimar a retina de Kael, um lembrete de que o tempo era um predador faminto. O chicote neural do cockpit vibrava em seu ombro esquerdo, uma dor fantasma que espelhava a paralisia do braço mecânico do frame. O pulso eletromagnético que o Vulto disparara na Arena 4 não apenas imobilizara o membro; ele fritara os atuadores de precisão.

Kael não esperou pela equipe de limpeza. Antes que os cobradores da Academia, com seus uniformes cinzas de corte impecável, pudessem bloquear o túnel, ele chutou o acelerador. O Ferrugem soltou um gemido de metal torcido, arrastando o braço inerte pelo concreto polido. Faíscas saltavam das juntas expostas, um rastro de luz que denunciava sua fuga, mas ele não tinha escolha.

— Kael, pare o frame! — a voz amplificada de um cobrador ecoou, fria e desprovida de humanidade. — O sistema detectou a técnica proibida. Você está sob auditoria imediata.

Kael ignorou. Ele puxou a alavanca de sobrecarga, forçando o injetor de assinatura invertida a disparar uma última carga residual. O Ferrugem deu um solavanco, a energia espasmódica criando uma distorção visual que confundiu os sensores de mira dos guardas. Kael manobrou o frame para o duto de ventilação lateral, um espaço estreito destinado à drenagem, não a máquinas de combate. Ao deslizar para dentro da oficina de Vane, o braço esquerdo do Ferrugem desprendeu-se parcialmente, caindo com um estrondo metálico que ecoou pela câmara subterrânea.

O ar na oficina estava denso, carregado com o cheiro acre de ozônio e solda barata. Kael chutou uma carcaça de atuador, o som metálico reverberando. No monitor suspenso, o cronômetro da dívida saltava em vermelho vivo: 11:42:09.

— Você sabia — Kael disse, a voz rouca pelo esforço. — A técnica de assinatura invertida não era apenas um experimento. Foi o que destruiu sua licença. Você me usou para testar um fantasma.

Vane, curvado sobre os circuitos expostos, não levantou a cabeça. Seus dedos, manchados de óleo e cicatrizes de queimaduras, moviam-se com precisão cirúrgica. — A técnica funciona, Kael. O Vulto caiu, não caiu? — Vane finalmente se virou, os olhos cansados brilhando sob a luz fluorescente. — A Academia baniu a assinatura invertida porque ela rompe a hierarquia deles. Eles não a odeiam porque é perigosa; eles a odeiam porque ela torna o seu frame imprevisível.

Uma batida metálica e autoritária interrompeu a tensão. Sora entrou, sua presença impecável contrastando violentamente com o ferro enferrujado do ambiente. Ela varreu a oficina com o olhar, parando no braço decepado do Ferrugem.

— O Ferrugem está mais para sucata do que para mech, Kael — disse ela, o tom de voz polido como as placas de blindagem de seu próprio frame. — Vim formalizar o duelo de exibição. A Academia quer ver a anomalia em ação. Se você vencer, metade da sua dívida é perdoada. Se perder, o que resta do seu frame será reciclado antes do nascer do sol.

Kael sentiu o sangue ferver, mas manteve a postura. — Aceito. Mas quero acesso aos códigos de reparo da Academia. Se eu ganhar, você me dá o que preciso para subir de nível.

Sora sorriu, um gesto gélido que confirmou o que ele temia: ela sabia exatamente como destruir seu frame. Assim que ela saiu, Kael subiu na carcaça do mech para o reparo desesperado. Ele tentou forçar uma reinicialização, mas um estalo seco ecoou pela oficina. Um selo de pressão de grafite cedeu, e a integridade do sistema nervoso do frame despencou para 15%.

— Droga! — Kael sibilou. Ele olhou para Vane, que mantinha uma expressão gélida. Sem peças de reposição, só restava uma saída: o injetor de sobrecarga para fundir o metal. Era uma solução temporária, perigosa, que deixaria o mech à beira da falência total. O sistema do cockpit piscou em vermelho: "Dano Crítico. Integridade Estrutural: 15%. Duelo em 1 hora."

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