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Chapter 7: O Custo da Lealdade

Elias observa a captura de Beatriz pelo sistema de segurança de Lucas. Ao hackear o terminal do museu, ele descobre que o roubo de 1994 foi uma operação de inteligência, não um crime comum de seu pai. Ao tentar usar a relíquia para interferir no sinal de Lucas, ele acaba revelando sua própria localização, tornando-se um alvo público enquanto o cronômetro avança.

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O Custo da Lealdade

O ar nos dutos de ventilação do museu tinha o gosto metálico de ferrugem e poeira, um contraste sufocante com a umidade da chuva que castigava o telhado lá fora. Elias pressionou o rosto contra a grade, a visão embaçada pela neblina que subia do centro telefônico. Abaixo, a cena era estática, cruel. Dois seguranças, com uniformes que pareciam armaduras de contenção, mantinham Beatriz de joelhos sobre o granito. Ela não chorava. O orgulho, aquela postura inabalável que Elias aprendera a respeitar, ainda estava lá, mesmo com as mãos algemadas atrás das costas.

Elias sentiu o peso da relíquia no bolso interno do casaco. O objeto emitia uma vibração rítmica, uma pulsação fria que parecia sincronizada com o cronômetro digital refletido no monitor de Lucas, posicionado em um suporte de exibição improvisado. 23 horas e 42 minutos para o leilão. O tempo não era apenas um número; era o ritmo da sua própria execução social.

— Onde está o arquivo, Beatriz? — A voz de Lucas ecoou pelo salão, amplificada por alto-falantes ocultos. Ele não estava na sala; era uma presença espectral, um avatar de controle que manipulava o museu como um tabuleiro de xadrez. — Elias não vai voltar. Ele é um desertor, assim como o pai dele foi em 94. A linhagem de vocês é de traidores, não de heróis.

Beatriz levantou o queixo. O gesto custou-lhe um puxão brusco do segurança, mas ela manteve o olhar fixo na câmera de vigilância. Elias sentiu o sangue ferver. Ele não podia intervir sem ser capturado, mas a ideia de deixá-la ali, sendo desmantelada publicamente, era uma sentença de morte para sua própria humanidade. Ele recuou, arrastando-se pelo duto, enquanto o som da chuva lá fora parecia um rufar de tambores de guerra.

Ao alcançar um ponto cego na periferia do complexo, Elias desceu para uma galeria de serviço e acessou um terminal público sob uma marquise na Avenida Paulista. Seus dedos, trêmulos pelo frio, golpeavam o teclado metálico. Lucas estava em uma transmissão ao vivo de alta definição. O cenário era o interior do museu. No fundo, Beatriz era conduzida como um troféu. "Uma cúmplice, não uma curadora", a voz de Lucas destilava veneno. Elias sentiu o estômago revirar. Lucas estava reescrevendo o passado em tempo real, usando o roubo de 1994 para justificar a perseguição. Elias acessou o drive que Beatriz havia escondido no sistema do museu antes da captura. Entre arquivos corrompidos, ele encontrou uma pasta oculta: a prova de que o roubo de 1994 fora uma operação de inteligência privada, orquestrada pelos mesmos investidores que agora financiavam o museu e a ascensão de Lucas. Seu pai não fora o executor por ganância, mas por chantagem. A relíquia não era apenas uma peça de museu; era o nó central de um sistema de vigilância que Lucas usava para controlar o fluxo de informações da cidade.

Elias saiu para a rua, a chuva caindo como agulhas. Ele tentou usar a relíquia para interferir no sinal de Lucas, esperando que a assinatura eletromagnética do artefato pudesse desestabilizar a transmissão. Mas, no momento em que ele expôs a obsidiana, o objeto reagiu. Uma série de glifos alfanuméricos começou a brilhar com uma luz azulada e doentia, emitindo um pulso eletromagnético que fez as luzes da rua oscilarem. O supressor improvisado que ele trouxera da central estalou e morreu. O erro custara caro: a frequência da relíquia não estava sendo bloqueada; estava sendo amplificada. Um drone da vigilância municipal, com o logotipo da empresa de Lucas, pairou sobre o cruzamento. O feed de engajamento de Lucas, projetado em um telão gigante acima da praça, mudou abruptamente. O ponto vermelho no mapa mostrava exatamente onde Elias estava.

Ele estava cercado. A multidão, atraída pelo brilho estranho e pela promessa de conteúdo viral, começou a parar, sacando seus próprios dispositivos. O cronômetro no pulso de Elias marcou 23 horas e 40 minutos. Ele não tinha mais para onde correr. A relíquia, agora um farol, pulsava em sua mão como um coração condenado.

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