Novel

Chapter 8: Sinal de Alerta

Elias tenta desativar o rastreador da relíquia, descobrindo que ela contém um microfilme que prova que o roubo de 1994 foi uma operação de inteligência. Ao emergir na Avenida Paulista, ele é identificado pela multidão através da livestream de Lucas, tornando-se o alvo central de um espetáculo público enquanto o cronômetro avança.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Sinal de Alerta

A chuva em São Paulo não limpava o asfalto; ela o transformava em um espelho negro de neon e óleo. Elias estava agachado no subsolo de um estacionamento na Avenida Paulista, o ar saturado pelo cheiro de ozônio e borracha queimada. Em sua mão, a relíquia de obsidiana vibrava com uma frequência que fazia seus dentes doerem. Não era apenas um artefato; era um farol. O zumbido metálico, imperceptível para a maioria, atraía os cães vadios que se aglomeravam na entrada da rampa, com os pelos eriçados e os olhos fixos na escuridão onde ele se escondia.

O visor do celular, com a bateria em 14%, exibia o cronômetro: 23 horas e 40 minutos para o leilão. Lucas não estava apenas monitorando; ele estava caçando. A relíquia, ao ser exposta ao sinal de rede do museu, tornara-se um rastreador ativo. Elias precisava silenciá-la antes que o sinal de GPS fosse triangulado pelos drones que zumbiam acima da tempestade.

Ele sacou uma chave de fenda de precisão. O metal frio da ferramenta encontrou a inscrição oculta na base da obsidiana. Ao pressionar, um estalo elétrico percorreu seu braço, um choque que não vinha da bateria, mas da própria pedra. O zumbido mudou de tom, tornando-se um lamento agudo. Elias forçou a base, ignorando a dor nas articulações. Com um estalo seco, a carcaça cedeu. Lá dentro, não havia circuitos modernos, mas uma cápsula de chumbo contendo um microfilme analógico. Ele o retirou com pinças, a luz bruxuleante da tela revelando uma lista de nomes gravada na borda. O nome de seu pai estava lá, em destaque. O roubo de 1994 não fora um crime de ganância; fora um teste de campo para uma tecnologia de vigilância que Lucas agora usava para escravizar a percepção pública.

O celular vibrou. A notificação de Lucas surgiu como um veredito: "Eu vejo você aí dentro."

No vídeo, Beatriz aparecia amarrada em uma cadeira metálica, sob a luz estroboscópica de um galpão. Ela não falava, mas seus olhos, fixos na lente, imploravam para que ele não se entregasse. Elias sentiu o peso da relíquia em seu bolso. Ele conectou o cabo de interface, injetando um código de sobrecarga na rede de câmeras de trânsito. Os semáforos da avenida entraram em colapso, um caos de metal e vidro que serviu de cortina de fumaça.

Elias emergiu na Paulista sob a chuva torrencial. O calor antinatural da relíquia pulsava contra sua coxa, disparando um sinal azul que atravessava o tecido do casaco. Ele tentou se misturar à multidão, mas o artefato era um ímã. Ao passar por um grupo de jovens gravando um vídeo, o celular de um deles apitou freneticamente. O rapaz olhou para o aparelho, depois para Elias, e apontou.

— É ele! O cara do feed do Lucas!

Elias correu, os pés derrapando no piso molhado. Ele levantou a cabeça e o choque o atingiu como um soco: em um dos telões publicitários gigantes, seu próprio rosto, capturado em alta definição por um drone, estava congelado em uma moldura vermelha. Abaixo da imagem, a contagem regressiva rodava implacável: 23 horas e 38 minutos. A transmissão de Lucas não era apenas uma caçada; era um show. Ele percebeu, com um calafrio que nada tinha a ver com a chuva, que cada passo seu estava sendo transmitido em tempo real para milhares de pessoas que, agora, começavam a cercá-lo.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced