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Chapter 5: A Live da Traição

Lucas é localizado pelos drones de Rafa Coutinho na casa de Tia Lurdes. Ele descobre que o relicário é um rastreador e que Lurdes era cúmplice do silenciamento de pacientes. Ao tentar hackear o sinal de Rafa para expor a verdade, Lucas vê Rafa expor Helena Vargas ao vivo, destruindo sua credibilidade e isolando-o. O servidor do hospital começa a apagar os registros, forçando Lucas a retornar ao local do crime.

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A Live da Traição

O zumbido metálico não era vento; era o som de um enxame de drones de vigilância. Lucas atirou-se para trás do sofá gasto na sala de Tia Lurdes no exato momento em que uma luz estroboscópica, vinda de fora, varreu as frestas da persiana, transformando a poeira do ar em partículas de um crime em curso.

— Eles nos acharam, Lucas! — A voz de Lurdes, antes firme, agora era um sussurro trêmulo. Ela apertava o relicário contra o peito como se pudesse esmagar o metal e apagar o que estava gravado nele.

— Não é sorte, tia. É o sinal — Lucas sibilou, o cérebro fervendo enquanto o cronômetro do Feed, projetado mentalmente, marcava cinco dias e quatorze horas até que a mentira se tornasse lei. O relicário, aquele artefato que ele acreditou ser uma herança familiar, vibrou em sua mão. Não era apenas um registro de óbitos do hospital; era uma baliza de rastreamento social. Cada vez que ele o acessava, o sistema de segurança do hospital recebia um ping de confirmação. Ele estava levando o inimigo para dentro de casa.

— Onde você conseguiu isso? — Lucas a confrontou, segurando os ombros dela. A humilhação de ter sido enganado pela própria linhagem ardia mais que o medo. Lurdes desviou o olhar, revelando a verdade que ela guardou por décadas: o objeto era o recibo de cada vida que o pai de Lucas, um administrador hospitalar sem escrúpulos, havia descartado como 'paciente fantasma'. Ela não era uma vítima; era a guardiã do silêncio. Lucas soltou-a, a traição cortando mais fundo que o zumbido dos drones lá fora. Ele precisava sair dali, mas o cerco estava fechado.

Horas depois, a luz fluorescente de um cybercafé clandestino no centro do Rio oscilava, um zumbido elétrico que parecia sincronizado com sua própria taquicardia. O cronômetro do Feed marcava agora cinco dias e doze horas. Suas mãos tremiam sobre o teclado mecânico. Ele tinha menos de quatorze minutos antes que o servidor de segurança bloqueasse seu acesso remoto aos arquivos do Setor 402. Ele precisava hackear o sinal da próxima transmissão de Rafa Coutinho. Se conseguisse sobrepor a lista de pacientes fantasmas à live dele, o público veria a contabilidade macabra.

— Vamos, Helena, atenda — murmurou, tentando contato com a arquivista pelo canal criptografado. O silêncio do outro lado era absoluto. De repente, a tela piscou. O código que ele inseria foi substituído por uma imagem em alta definição: o feed de segurança do hospital. Rafa Coutinho não estava apenas transmitindo; ele estava celebrando.

"A verdade tem um custo, pessoal, e hoje vamos cobrar a dívida da Dra. Helena Vargas", disse Rafa. Atrás dele, fotos de Helena no arquivo hospitalar eram exibidas. Ela aparecia entregando a chave mestra, seu rosto burocrático distorcido pelo ângulo da câmera. "Vejam a arquiteta do caos", continuou ele, a voz carregada de veneno. "Ela não estava protegendo o hospital. Estava apagando os rastros de um esquema que ela mesma orquestrou. O Lucas Mendes é apenas o peão; ela é a rainha que precisa cair."

O sangue de Lucas gelou. Rafa tinha um informante dentro da segurança. Ele não estava apenas caçando Lucas; ele estava desmantelando sua única rede de apoio em tempo real, transformando Helena em um alvo público para desviar a atenção da lista de fantasmas.

No beco onde se refugiou, a tela do celular de Lucas exibia a contagem regressiva: 5 dias, 14 horas e 22 minutos. Abaixo do cronômetro, a notificação do sistema hospitalar pulsava em vermelho. O servidor central estava sendo purgado. Não era uma falha técnica; era uma execução. Cada segundo que ele perdia escondido, um registro de um paciente fantasma — incluindo o da sua própria mãe — desaparecia para sempre.

Ele não tinha mais escolha. Se ficasse, a prova morreria. Se voltasse ao hospital, seria um alvo vivo sob o escrutínio de milhões. Lucas guardou o relicário no bolso, sentindo o peso do metal frio contra o quadril. Ele não seria o mártir que o Feed queria; ele seria a falha no sistema. Enquanto as sirenes da segurança privada de Rafa começavam a ecoar pelas ruas próximas, Lucas deu o primeiro passo em direção ao hospital, sabendo que, a cada metro percorrido, a live de Rafa continuava a transmitir sua imagem para o mundo, tornando sua caçada uma sentença de morte pública.

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